Quando a minha irmã nasceu, eu tinha cinco anos. Acho que a minha mãe não se preocupou em me perguntar a minha opinião sobre o nome da criatura, mas lembro-me bem de sentir uma inveja tremenda, de tal forma que, sempre que brincávamos, eu arranjava uma desculpa para mudarmos os nossos nomes e, claro está, eu passava a ser Ana Lúcia e ela Vera Filipa. Pobre criança, ainda hoje me pergunto se a traumatizei... Passaram-se vinte e cinco anos e eu continuo a adorar o nome da minha irmã e tenho muita pena que não lhe chamemos Lúcia mais vezes.
Lúcia tem origem na palavra latina Lux, sendo o feminino de Lucius, que significa "relativo à Luz". É um antropónimo comum há vários séculos em quase toda a Europa, nas suas diversas variantes e, segundo consta, era atribuído com frequência a bebés nascidas ao nascer do Sol. Antigamente, Lúcia era preterido em favor de da Luz e Luzia, mas a tendência inverteu-se no século XX. Em Portugal, houve um pico de popularidade na segunda metade da década de 60 e hoje, apesar de estar no top 100, fica-se pelos 39 registos, os mesmos de 2012 e mais três do que em 2011 mas, ainda assim, é menos popular do que Luciana, que foi registado 65 vezes. Aqui ao lado, na vizinha Espanha, foi o nome feminino mais registado de 2012.
Na minha opinião, Lúcia é uma opção fabulosa para os dias de hoje. Perfeitamente comum, normal, com um significado bonito e muito delicado, não dá muito nas vistas mas é encantador!
Como dá para ver, a minha mãe também não se preocupou em criar um Par Perfeito para as filhas mas a harmonia que nos falta no nome sobra em cumplicidade - e estamos as duas muito contentes com os nossos nomes! Pena é que a nossa própria mãe nos trate por Luísa & Bela mais de metade das vezes...