Não tenho o hábito de partilhar aqui as minhas antipatias mas já admiti, por diversas vezes, que não sou apreciadora da atribuição de nomes clássicos masculinos a meninas, nem de nomes clássicos femininos a meninos. A prática até é comum entre os portugueses [relembro que Maria foi a quarta opção mais popular para segundo nome masculino em 2014 e em 2013 e que Maria João foi o sétimo nome composto mais registado em meninas em 2014] mas, definitivamente, não é o meu estilo. O caso muda de figura quando há uma certa ambiguidade de género envolvida, mas isso fica para outra altura.
Hoje estou aqui para escrever sobre Maria José, um nome que toda a gente conhece mas que se vai usando cada vez menos em crianças [em 2014 ficou-se pelos 16 registos] e que me remete sobretudo para alguns diminutivos. Este é o nome de uma das minhas inúmeras tias, a quem, em família, tratamos por tia Zé, mas que é conhecida entre as amigas por Zeza. Conheço ainda outra Maria José, a quem nunca ouvi chamar outra coisa que não Mizé. Mas o hipocorístico mais invulgar que já ouvi para Maria José pertence a uma espanhola e é Coté!
Se bem me recordo, o nome desta minha tia foi escolhido em homenagem ao padrinho José, mas é um composto com um claro apelo religioso, unindo os nomes dos pais de Jesus Cristo. Mas não nos esqueçamos de que em Portugal também é possível registar São José como segundo nome, o que tem uma carga simbólica bastante superior! A título de exemplo, refira-se que em 2014 foram registadas meninas com o nome Maria de São José, Matilde de São José e Margarida de São José.
Como já referi acima, Maria José já não tem o vigor de outros tempos e já foi ultrapassado em número de registos por combinações que parecem mais modernas, como Maria Miguel, ou mais raras, como Maria Luís. Ainda assim, para quem gosta deste estilo, acho que continua a ser uma opção muito viável!

