Farto-me de ouvir histórias enternecedoras acerca das professoras primárias mas, com muita pena, não tenho nenhuma para contar. Durante quatro anos, tive mais de oito professoras; umas reformaram-se, outras engravidaram e os períodos intermédios foram ocupados por professoras que iam e vinham, sem deixar grandes saudades. Os meninos da sala ao lado, contudo, tinham outra sorte. A Professora Maria Domingas era uma querida, sempre sorridente, amável e muito meiguinha! Inevitavelmente, é essa a imagem mental que tenho do nome Domingas, com que simpatizo muito mais do que com a versão masculina e muito mais comum, Domingos. Existirá alguém que não conheça um senhor de meia-idade chamado José Domingos ou João Domingos?
O nome tem origem na expressão latina dies dominicus ou "o dia do Senhor" e é um nome com alguma relevância para os Católicos, alguns dos quais o escolhiam para os filhos nascidos ao Domingo. A versão feminina não se conseguiu impor em Portugal e em 2014 já nem sequer foi registado como primeiro nome, enquanto que foram registados nove Domingos.
Domingos & Domingas estão relacionados com Domínico e Domitília, que constam da lista do IRN. Se bem que nenhum dos quatro é propriamente apelativo nos dias de hoje, Domingos é um nome com muita tradição em Portugal e não me pareceria de todo descabido que daqui por uns anos se voltasse a ouvir. Domingas, por seu lado, apela-me mais porque conheço pouquíssimas, apesar de se usar desde os tempos medievais, e acho que faz sentido junto de nomes como Caetana, Constança ou até mesmo Maria do Carmo. É uma questão de enquadramento!


