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Eufémia

em 24/09/12


Há mais de vinte anos atrás, tinha de fazer uma viagem de carro que durava quase o dia inteiro para poder visitar a minha avó. Eu ainda não percebia nada de geografia, muito menos das assimetrias abismais entre a capital e o resto do país, mas sabia que a viagem a Viseu era um tormento quase insuportável, para pouco tempo de paraíso. A viagem de Viana ao Porto, que hoje se faz em trinta minutos, demorava certamente mais de duas horas, através de uma estrada nacional cheia de camiões e de bancas de venda de cebolas e batatas. Mas essa não era a parte pior. Não, a verdadeira tortura começava apenas em Aveiro, onde apanhávamos a antiga EN16, cheia de curvas e contracurvas que obrigavam o meu pai a fazer paragens à velocidade constante dos meus enjoos. 
Mas a tormenta valia a pena assim que o meu pai e a minha mãe desatavam a apontar os "mémés" nos campos à beira da estrada. E era o primeiro sinal de que me estava a aproximar da casa da minha avó, do seu lagar, das cortes dos animais, dos cântaros para ir buscar água à fonte da aldeia, dos pintainhos que mais tarde eu haveria de segurar. Mas, acima de tudo, da minha avó, essa mulher de muita fibra que hoje faz anos. Muitos. A minha avó Eufémia, cujo nome só aprendi a pronunciar com a doçura beirã muito mais tarde e que terá, certamente, influenciado a minha paixão por nomes diferentes. 
Eufémia significa "eloquente" ou "de boa fala" mas, apesar de me ser muito querido, não seria capaz de o usar numa filha.