Chiara

19.7.18


Apesar de ser mencionado com pouca frequência aqui no blog, Kyara está, desde 2010, entre os cem nomes mais registados em bebés portuguesas e tem vindo a subir de tal forma no ranking que já se encontra no top 50. Em 2016, foi o nome escolhido para 165 meninas mas, nos últimos 18 anos, já se contabilizam mais de 800. Em tempos, ainda questionamos aqui se o uso de Kyara se daria por via de Chiara ou de variantes como Ciara, Kiara ou Keira. Porém, creio que é uma discussão infrutífera e, na minha forma de ver, teremos até que deixar de parte a ideia de que Kyara era uma espécie de opção de recurso, porque parece-me que quem gosta do nome, gosta dele assim. 

De qualquer forma, podemos perguntar-nos se a popularidade de Kyara poderá estimular o uso de Chiara, a variante italiana de Clara. Nos últimos tempos, fui alterando a  minha posição em relação à nossa capacidade de adaptação aos nomes estangeiros. Podemos gostar deles ou preferir nomes mais clássicos [eu continuo a preferir os nomes com mais ligação à minha cultura!], mas o argumento de que ninguém saberá escrever ou pronunciar já não me convence da mesma forma. Os tempos são outros! Assim, já não vou muito na onda de que Chiara pode ser confundido com o verbo chiar, mas gostava de ouvir a vossa opinião! 

Serena

13.7.18

Serena Williams e a filha, Alexis Olympia

Em meados de 1998, sofri um acidente que me deixou imobilizada durante todo o verão e enquanto a vida corria lá fora, eu desenvolvi uma paixão imensa pelo ténis, que me acompanha até hoje [e como não há coincidências, já ouviram falar de Frederica Piedade, ex-número 1 portuguesa?]. No circuito masculino, os meus jogadores preferidos foram-se retirando, dando lugar a uma espécie de devoção pelo sérvio Novak Djokovic. Mas, no circuito feminino, a minha jogadora favorita mantém-se a mesma. O seu nome é Serena e é, indiscutivelmente, a melhor jogadora de todos os tempos. 
Há vinte anos, a Serena Williams era o underdog: irmã mais nova da talentosa Vénus, que chegou a número 1 do mundo antes dela. Corpulenta, numa altura em que se idolatrava a esguia Anna Kournikova. Negra, num desporto de privilegiados. Não vou enumerar as conquistas da Serena, mas esta campeã olímpica ganhou, grávida de oito semanas, um dos torneios mais importantes do circuito. Agora, dez meses depois do nascimento da filha Olympia, e depois de um pós-parto complicadíssimo, está na final de Wimbledon, que se disputará amanhã. Não sei se irá ganhar, mas vê-la a lutar pelo título é absolutamente inspirador. Da minha parte, tudo farei para que a minha filha conheça a sua história. E se algum dia tiver outra menina, Serena estará, certamente, na lista para possíveis segundos nomes da bebé! 

Cristóvão

15.5.18


No início do mês, alguém questionou a minha opinião sobre o nome Cristóvão, nos Pedidos & Sugestões. À partida, considero-o um nome absolutamente normal, porque convivi com uma pessoa da minha idade que se chamava Cristóvão e isso influencia, como é evidente, a forma como o encaro. Às vezes, até lhe chamavam Cris, o que ainda o normalizava mais, aproximando-o um pouco dos nomes usados nos anos 80. Além disso, Cristóvão é um apelido comum entre a população portuguesa, o que faz com que se ouça com bastante frequência e é indissociável do mítico Cristóvão Colombo, tantas e tantas vezes mencionado ao longo das nossas vidas. Está na lista dos nomes medievais portugueses, que é uma das minhas categorias favoritas. E apesar de remeter visivelmente para Cristo [significa "o que leva Cristo"], isso não me incomoda, até porque gosto de Cristiano... Portanto, não é, de maneira nenhuma, um nome que eu rejeite. Mas também não integra o meu lote de nomes preferidos e, dentro do estilo, inclino-me mais para Estêvão. E quanto à sua usabilidade, creio que está no mesmo patamar de Jerónimo, que é um dos meus favoritos: não é um mau nome, não é desconhecido, mas acho que está um pouco distante dos nomes desta geração. Talvez em demasia! 

Virgínia

25.1.18


Hoje assinala-se o 136.º aniversário de nascimento da escritora Virgínia Wolf. Eu gosto bastante de Virgínia e achei que era um bom nome para abordar depois de ontem ter mencionado nomes que remetem para outras coisas. Neste caso, há uma ligação óbvia à palavra virgem - óbvia e incontornável, já que é este o seu significado. Mas sempre que menciono o nome Virgínia há quem fale de ser um nome muito propício a trocadilhos com a palavra vagina, o que, claro!, não é algo que encante particularmente quem está a escolher o nome para uma filha. Porém, isso não foi impedimento para várias famílias portuguesas ao longo do século XX, já que Virgínia era um nome relativamente comum até meados da década de 70 e, como tal, é possível que este seja o nome de avós, mães e tias de quem me está a ler! E eu, que até nem sou nada destas coisas, sou obrigada admitir que este é um daqueles nomes que eu acho que funcionam muito bem numa adulta, mas que talvez seja difícil de gerir para algumas crianças - e daí talvez o baixíssimo número de registos [um] em 2017.  
Ainda assim, é um nome de que gosto mesmo muito - longo, ritmado, com muita personalidade e que poderia ter como diminutivo o meu adorado Gigi. Ou Ginny, como é comum nos EUA. E já que falamos  nisso, sabiam que Virgínia foi o nome escolhido para a primeira bebé nascida entre os colonos ingleses em solo americano? O nome foi escolhido em homenagem à rainha Elizabeth I, a Rainha Virgem, que também está na origem da nomeação do Estado norte-americano da Virgínia. 

[ironicamente ou não, Virginia Johnson foi uma sexologista, pioneira do estudo do Ciclo da resposta sexual humana, cujo trabalho deu origem à série de televisão Masters of Sex]


Scarlett

24.1.18


Quando nos confrontamos com um nome menos ouvido em Portugal, a reacção mais frequente é inseri-lo naquela categoria épica, que carinhosamente gosto de apelidar de "É bonito e tal, mas faz lembrar...". Não vale a pena lutar contra isso, afinal, aprendemos a falar através de rimas e recorremos desde cedo a mnemónicas, portanto, ouvimos uma palavra e associamos logo a outra. É um bocado infantil, mas também é instintivo, pelo que convém aceitar e seguir com a vida. 
Os nomes estrangeiros, logicamentesofrem menos deste mal. Peguemos no exemplo de hoje: quando me deparo com Scarlett, não penso em escarlate nem em doença escarlatina. Penso na giraça da Scarlett Johansson. É claro que isso não o transforma de imediato no mais usável dos nomes mas associá-lo a pessoas faz mais pelo nome do que associá-lo a substantivos ou adjectivos que têm quase sempre um lado negativo. 

Origem & Significado

A partir de uma palavra persa, o inglês scarlet remete para escarlate, pelo que o seu significado está associado à cor vermelha. Começou por ser um apelido associado a pessoas que vendiam tecidos brilhantes e passou a nome próprio quando foi escolhido pela escritora de E tudo o vento levou para a personagem icónica de Katie Scarlett O'Hara, que viria a ser eternizada no cinema pela atriz Vivien Leigh. 

Popularidade pelo mundo

Scarlett está em alta nos EUA, tendo chegado ao top 20 pela primeira vez em 2016, quando foi escolhido para 7680 meninas, que corresponde à 18.ª posição. Ocupa exatamente a mesma posição na atual tabela de nomes populares de Inglaterra & Gales e o Behind the Name mostra que esta popularidade se estende a vários países anglo-saxónicos. 

Estado atual em Portugal 

Aprovado. As variantes Scarlett e Scarlet foram recentemente adicionadas à lista de nomes permitidos em Portugal e, no conjunto, somam sete registos entre 2015 e 2017. Não me parece que, subitamente, vá cativar os portugueses. 

Mel

9.1.18


Durante uns anos, perdi a conta à quantidade de emails que recebi por causa do nome Mel. Havia muita gente interessada em registar o nome em meninas [sobretudo quando a Rita Pereira fez de Mel numa novela]  mas este constava da lista do IRN como nome masculino. O problema é que a modelo Diana Pereira estava sempre nas revistas cor-de-rosa com a filha Mel e isso gerava imensa confusão!
Para dar resposta aos pedidos dos leitores, fui fazendo posts com sugestões de nomes alternativos que pudessem ter Mel como diminutivo e até uma lista de Nomes compostos com Mel. Entretanto, o tempo foi passando e diria que o momento alto de Mel também se foi, sem que este tivesse, de facto, acontecido! 
Não sei se isso poderá mudar agora com a chegada da nova lista do IRN, que indica que Mel já pode ser registado sem condicionalismos, quer como nome masculino, quer como feminino! O que é que vocês acham de Mel? Acreditam que pode reconquistar os portugueses? E já agora, acham que o aumento no número de registos de Melissa poderá estar relacionado com Mel? 

Tilia

4.1.18


Vamos lá directos ao assunto: quando ouvimos falar de Tília, é possível que pensemos imediatamente na aromática tisana que nos ajuda a recuperar em momentos de maior fragilidade. Mas para chegarmos à infusão, temos de passar pela árvore, e as tílias são elegantes árvores ornamentais que vemos nas ruas e nos parques, que dão uma delicada florinha amarela, muito rica em néctar, e cuja madeira é tão macia que agrada a escultores e aos fabricantes das boas guitarras. 
Com a última atualização da lista de nomes aprovados em Portugal, Tilia [sem acento] passou a fazer parte das nossas opções e eu fico feliz com isso. Até me podem dizer que ter um nome próprio inspirado numa árvore pode não ser muito entusiasmante, mas há povos que consideram a tília uma árvore sagrada e o folclore germânico refere-se a ela como a "árvore dos amantes". Parece-me suficientemente poético! Além do mais, tem de haver por aí umas centenas de netos e netas de senhoras chamadas Otília e, na minha opinião, Tilia poderia ser uma bela forma de trazer de volta um nome que caiu em desuso! 

Megan

28.11.17


A família real britânica vai ter uma Primavera animada, com a chegada de mais um bebé e com o casamento do príncipe Harry e de Meghan Markle. Como sempre, o que nos interessa aqui são os nomes e podemos começar por um detalhe: A Meghan é tratada pelo middle-name, já que o seu primeiro nome é Rachel
Meghan não é o mais aristocrático dos nomes, até porque o seu uso é relativamente recente, mas tem origem no clássico Margaret, através da variante galesa, Marged. Megan era um diminutivo, que entretanto se formalizou como nome próprio, como poderão ver com detalhe neste post do British Baby Names. Fechando o círculo, Megan leva-nos até um dos meus nomes predilectos, Margarida, um clássico contemporâneo que a meu ver apenas peca pela popularidade atual - é isso mesmo, faz jus ao significado e é uma verdadeira pérola
Para terminar, resta-me frisar que todos os nomes a negrito são aprovados em Portugal. 

Éden & Eden

21.11.17



Tenho uma confissão a fazer: gostava de estar mais entusiasmada com esta nova lista aprovada em Portugal mas, infelizmente, a grande maioria dos nomes agora adicionados não vai ao encontro do meu estilo. Por outro lado, há alguns que me agradam e muito, mas quando penso no que que vos quero dizer sobre eles, fico com muitas dúvidas no que respeita à sua aceitação. 
Hoje gostava de falar sobre Éden, um nome que adoro há vários anos e cuja aprovação me deixou mesmo muito contente [mais, só se Éden, com acento, estivesse na lista feminina mas só está na masculina. Em meninas, terá de ser utilizado Eden]. A primeira vez que vi Eden usado como nome próprio foi na MTV Europe, no final dos anos 90, e pertencia a uma VJ israelita, Eden Harel. Ela era linda, tinha um ar exótico, o nome assentava-lhe na perfeição e, mais tarde, fiquei muito satisfeita ao perceber que Eden se usava em vários países, sobretudo em meninas, mas não só! 
Apesar de adorar Eden [para que fique claríssimo, eu adoro Éden, pronunciado à portuguesa], acho que é impossível fugir à questão: independentemente de acharem ou não o nome bonito, qual é a vossa reacção, face ao seu contexto bíblico? Ficam-se pela ideia mental do Jardim de Deus, cheio de frondosas e belas árvores ou concentram-se no pecado original de Adão e Eva? 


Noé

11.9.17


Aos poucos, Noah & Noa têm vindo a conquistar os portugueses, possivelmente porque são nomes modernos, diferentes, serenos e delicados. No entanto, também sabemos que, apesar de se notar que já há mais abertura para o uso de nomes estrangeiros, a grande maioria dos portugueses continua a preferir registar os filhos com nomes mais próximos da cultura portuguesa. 
Assim, gostava de saber o que acham de Noé. Apesar de ser uma variante de Noah, acho-o mais vibrante mas muito menos jovial - e não vejo isso como um problema! Em 2011, fiz um duelo entre os dois, que Noah ganhou com larga vantagem e tenho a certeza de que se o repetisse, o resultado seria semelhante, mas Noé [que significa "descanso" ou "de larga vida"] tem ou não potencial? 

Rosarinho & Gracinha

6.6.17


Em 2012, à custas do mediatismo alcançado pela fadista Carminho, dava aqui conta da possibilidade de este se tornar num dos nomes da moda em Portugal. Na altura, Carminho tinha sido opção para doze meninas, o que até já era uma grande diferença para 2009, ano em que apenas foi registada uma menina com este nome. Passados quatro anos, Carminho surge no top 50 da lista de 2016, estando quase na marca dos duzentos registos anuais e, pelo que me tem parecido, a tendência é para subir ainda mais no nosso ranking. 
Este desempenho de Carminho revela que há abertura para o uso de diminutivos na condição de nome próprio, sobretudo se o nome em questão se apresentar com alguma substância. Desta forma, dentro dos nomes mais comuns retirados da lista de epítetos de Nossa Senhora, há dois diminutivos que podem e devem ser olhados com interesse e falo de Rosarinho & Gracinha
Rosarinho, tal como Carminho, revitaliza um nome que, de outra forma, me parece menos apelativo. Rosário, por via de Maria do Rosário, é um nome marcadamente religioso mas que, na forma do diminutivo, se torna mais terno, mais delicado e mais contemporâneo. Na vizinha Espanha, passou-se o mesmo com Candelária, que caiu em desuso, dando agora lugar ao popular Candela. O mesmo se aplica a Gracinha, com a vantagem de que o diminutivo também se consegue afastar um pouco do substantivo o que, para muitos, poderá parecer bastante benéfico.

Na minha opinião, Gracinha & Rosarinho são alternativas muito válidas a Carminho, podendo apelar a quem gosta de nomes como fortes, como Carlota ou Pureza, ou a quem gosta de nomes mais suaves e delicados, como Madalena ou Amélia.

Judite
- Lado Maternal -

1.6.17


Ao longo dos anos, tenho-me cruzado com algumas mulheres chamadas Judite. A mãe de uma amiga de infância. Uma vizinha de muita idade a quem todos chamavam Dona Dite e que só no velório descobri que era Judite e não Edite. Outra vizinha, esta bem mais nova, que era tratada por Jú. A fotógrafa do meu casamento, que era Judith. Isto faz-me pensar que, não sendo o mais comum dos nomes usados em Portugal, ainda deverá ser o nome de muitas mães portuguesas! 
Na minha opinião, Judite até poderia ser uma par perfeito para Débora - nome bíblico que está na lista de cem nomes femininos mais registados em Portugal entre 1990 e 2016, e que já foi registado em mais de 5 mil meninas neste período. O problema será mesmo esse: enquanto Débora tem vindo a ser uma escolha constante, o melhor  resultado de Judite, nos últimos cinco anos, ocorreu em 2014, quando foi usado em três meninas. 
Compreendo que hoje até pode nem ser um nome muito apelativo, mas vendo que Salomé, Rebeca, Simone e Ester estão às portas do top 100, isso faz-me acreditar que, dentro de alguns anos, Judite poderá ouvir-se novamente. 
Judite é um nome bíblico, de origem hebraica, cujo significado tanto remete para "judia", como para "Ele será louvado". O original Iehudith também originou Judita, variante, ainda assim, muito mais rara. Do universo anglo-saxónico, chega-nos o diminutivo Judy, que hoje provavelmente até associamos a senhoras de meia idade, já que este foi um nome muito popular nos EUA, nas décadas de 40 e 50. 

Fátima

12.5.17


Amanhã assinala-se o centésimo aniversário da aparição de Nossa Senhora aos primos Lúcia, Jacinta e Francisco, na Cova da Iria, numa pequena aldeia do concelho de Ourém. A aldeia chamava-se Fátima e, depois deste "milagre do Sol", o topónimo passou a ser sinónimo de identidade portuguesa, não obstante de estarmos na presença de um nome de origem árabe que significa a que desmama crianças. Segundo explica José Pedro Machado, no seu Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, Fátima "era um nome usual em mouras, incluindo as que habitaram terras portuguesas" mas não há dúvidas de que "a sua vulgarização é posterior a 1917". A devoção a Nossa Senhora do Rosário de Fátima foi crescendo e Maria de Fátima passou a ser um nome muito apreciado pelos crentes. 
Com o passar dos anos, e com o progressivo afastamento da população portuguesa da religião católica, Fátima começou a usar-se menos e sabemos que em 2013 foram registadas apenas 15 meninas com o nome Maria de Fátima e 17 em 2014. Neste mesmo período, também é possível perceber que "de Fátima" precede nomes tão variados como Matilde ou Luana. Já em 2016, Fátima foi usado como primeiro nome em 22 bebés. Muito mudou em vinte anos, se pensarmos que em 1997 nasceram 186! Pessoalmente, não acredito que o cenário se inverta nos próximos anos, já que Fátima parece um pouco datado, apelando apenas, provavelmente, aos mais devotos. 

Jacinto

4.5.17


Dentro de alguns dias, Portugal vai receber a visita do Papa e o momento será aproveitado para a canonização dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto. Num país tão católico, e olhando para a enorme popularidade alcançada pelo nome Fátima [sobretudo, Maria de Fátima] até poderíamos esperar que Jacinta também conseguisse cativar os portugueses, mas a popularidade deste nome não foi afectada pela aparição de Nossa Senhora na Cova da Iria. Uma das explicações poderá estar relacionada  com o uso de Jacinto que, até então, era a variante mais frequente. Ainda que nunca tenha sido um nome extremamente comum, é fácil de o localizar em Portugal desde o século XVIII e usou-se com moderação até aos anos 70 do século XX. É um nome que se encontra mais na geração dos nossos avós e dos nossos pais, mas não exclusivamente, e até temos o exemplo de Jacinto Lucas Pires, escritor português nascido em 1974. Nos dias que correm, tanto Jacinto como Jacinta são pouco utilizados mas, em 2016, Jacinta foi escolhido para 11 meninas, enquanto que, no mesmo período, Jacinto apenas foi registado em quatro meninos. Curiosa, esta inversão.
Eu gosto de Jacinto, tal como gosto de Jacinta. Como nome de flor, poderá suscitar algumas reservas, já que a atribuição de nomes masculinos tende a afastar-se do critério da delicadeza [ainda assim, temos aqui uma lista de nomes delicados para meninos] mas, para mim, Jacinto tem vida própria para lá dessa associação. Mais difícil será, talvez, ultrapassar aquela brincadeira que já terão ouvido e que poderá desagradar e muito a uma criança que seja importunada com ela.
O que acham de Jacinto? Conseguem dissociar Jacinta do fenómeno de Fátima? Qual dos dois vos parece mais usável? Na blogosfera portuguesa, há uma família que tem um pequeno Jacinto, irmão do Benjamim, da Luz e da Maria Jasmim. Que belo quarteto

Ângela

27.4.17


O meu fascínio pelos nomes portugueses leva-me a uma procura incessante por nomes que ainda não fazem parte da minha base de dados. Infelizmente, já é raro encontrar nomes novos, sobretudo que possam ser minimamente apelativos para os dias de hoje. Por outro lado, apesar de estar muito familiarizada com os nomes mais usados pelos portugueses noutros séculos, nunca deixo de me impressionar quando encontro alguns em listas dos séculos XVI ou XVII, porque me parecem demasiado frescos para serem usados por senhores e senhoras de trajes medievais. 
Um exemplo flagrante é Ângela. Para mim, Ângela é e sempre será um nome muito jovial e, até, moderno. Pensar que era um dos nomes mais usados em 1650, parece quase impossível mas, a verdade, é que, nesse tempo, uma Ângela podia ser irmã de uma Jerónima e de uma Joana, de um Bento ou de um Francisco!
Olhando para uma época mais recente, Ângela ganhou fulgor a partir de 1960 e, em 1996, ainda estava no top 50 de nomes femininos mais registados em Portugal, com 284 registos. Desde então, usa-se cada vez menos e em 2016 foi escolhido apenas para 25 meninas. Esta perda de popularidade poderá fazer com que entre para o lote dos nomes datados mas, na minha opinião, Ângela continua a ser uma opção interessante, sobretudo para quem quer um nome bastante enraizado na sociedade portuguesa, mas internacional, e para os que procuram afastar-se dos nomes da moda, mas que também não querem optar por nomes demasiado invulgares. 
E já que falamos em Ângela, há outro nome que também se encontra muito em documentos antigos, mas que talvez seja mais difícil de agradar: Angélica. Pessoalmente, prefiro Ângela, que considero mais suave e delicado; além disso, na minha ordem de preferências, Angélica também perde para Angelina, que faz mais o meu estilo. 
O  que acham destes três nomes? Qual deles preferem? Sabiam que Ângela era tão popular na época medieval? Acham-no apelativo ou consideram-no demodé?

Cleo

11.4.17


Em Janeiro de 2016, Chloe passou a fazer parte da lista de nomes aprovados em Portugal, tendo sido imediatamente escolhido para 31 meninas. Nesse ano, o somatório das suas variantes é de 58 registos [concretamente, Chloe, Chloé, Cloe, Cloé, Khloe & Kloé], o que seria suficiente para garantir um lugar no top 100, entre Amélia e Olívia. Esta pequena análise leva-me a pensar se Cleo poderá passar por um processo semelhante. Na minha opinião, sim. 
Cleo é um diminutivo de Cleópatra, nome de origem grega que significa "de pai famoso". E se Cleópatra só parece mesmo nome de personagem, Cleo parece perfeitamente adequado para uma menina portuguesa nascida em 2017, junto de meninas com nomes curtos como Ema, Lia, Noa, Mia. Eu não conheço mais nenhuma Cleo para além da atriz brasileira Cleo Pires mas, até isso parece jogar a seu favor, porque Pires é portuguesíssimo e faz com que qualquer sobrenome que se lhe siga soe de forma familiar. 

Aproveitando o momento, parece-me interessante fazer um duelo entre os anagramas Cleo e Cloe... [mas vou optar pela grafia mais registada em 2016, Chloe]. O que pensam destes dois nomes? Qual deles preferem? Não se esqueçam de votar! 

Atualização - resultado da sondagem


Maria da Glória
- Lado maternal -

5.4.17


Para começar esta rubrica, tinha de escolher um daqueles nomes que me remetem imediatamente para a geração da minha mãe e, por isso, optei por Maria da Glória, nome de inspiração religiosa que retrata um dos epítetos de Nossa Senhora. Porém, apesar desta marca distintiva da qual é difícil escapar, Glória parece-me um nome muito positivo, vibrante e cheio de energia, o que nem sempre acontece quando falamos destes nomes. Não sei se estou  a ser influenciada pelas memórias da minha professora de Francês, de quem gostava muito, mas acho que Glória é um nome muito adorável e... maternal! Não é que não o consiga imaginar numa criança ou numa jovem, mas acho que é o tipo de nome que assenta como uma luva em mulheres de mais idade. Tivesse eu a ingenuidade de outros tempos e até poderia dizer que Glória tinha tudo para ser uma óptima alternativa a Victória, mas a experiência já me ensinou que não é esse o caminho para revitalizar um nome. 
Em Portugal, ao longo de 2014, Maria da Glória foi apenas escolhido para uma menina e em 2016, Glória foi registado dez vezes como primeiro nome. 

Conhecem alguma Maria da Glória? E aproveitando o momento, se gostariam que abordasse o nome da vossa mãe, é só deixar a sugestão nos comentários!

Vanda
- Nomes geracionais -

3.4.17


Vanda é um daqueles nomes que, subitamente, cativou uma série de pais portugueses mas que, em pouco tempo, voltou a cair em esquecimento. Neste caso em concreto, o período de enamoramento decorreu entre a década de 70 e 80, por isso é muito provável que as Vandas que conheçam estejam agora na casa dos 40. 
O nome não chegou em Portugal apenas nessa altura, já se usando anteriormente - ainda que de forma pouco expressiva - sendo até citado pelo Vocabulário Ortográfico de 1940, possivelmente graças à Princesa Wanda, filha de Krakus, fundador de Cracóvia e figura do imaginário polaco. 
Não consegui determinar se há algum fenómeno associado ao aumento de popularidade do nome, mas, em 1964, foi publicada a banda desenhada X-Men 4, da Marvel, que apresentava pela primeira vez a super-heroína Wanda Maximoff, mais conhecida por Scarlet Witch ou "Feiticeira Escarlate".
Algum tempo depois, em 1970, foi exibido o filme "Wanda", de Barbara Loden, mas não parece ter tido um impacto estrondoso. Por outro lado, em 1988, saiu "Um peixe chamado Wanda", filme que foi aclamado pela crítica e, em 1991, Vanda chegou aos 74 registos, que o colocavam na 110.º posição do ranking de nomes femininos mais escolhidos em Portugal. Desde 2011, os registos têm diminuído e em 2016 apenas foram registadas duas meninas com este nome, cujo significado é controverso, podendo estar algures entre "pastora" ou "espírito divino". 
Conhecem alguma Vanda? Sabem o que está por trás da escolha do nome? 

Fernando
- Em nome do pai -

14.3.17


Ao longo do século XX, o nome Fernando merecia, indiscutivelmente, o epíteto de clássico, estando no grupo dos dez nomes mais registados em Portugal até à década de 60 e ocupando a 11.ª posição do meu Ranking dos Rankings dos nomes portugueses, elaborado em 2012. 
Tradicional e aristocrático, Fernando era uma escolha sóbria que, no entanto, foi deixando de cativar. Até se percebe, se pensarmos nas grandes alterações que surgiram depois do 25 de Abril, mas não podemos negar que Fernando seria um acompanhante digníssimo de António e Manuel que, apesar de atravessarem o mesmo processo, apresentam registos anuais mais elevados. Mas Fernando foi ficando para trás, ocupando agora a 81.ª posição do ranking, com meros 50 registos, o que o coloca no mesmo patamar de Joaquim
Fernando tem origem no germânico Fredenandus e significa "ousado pela paz". Está presente nos livros de linhagem portugueses, à semelhança do que também acontece com a variante Fernão, A lista do IRN contempla ainda a possibilidade de registo de Ferdinando [que tem variante feminina] e de Fernandino
Voltando a olhar para o passado, arrisco dizer que são raras as famílias portuguesas que não contam com um Fernando na árvore genealógica mas não sei se o futuro será muito risonho para este nome.  O que é que você acham? E, entre Fernando e Fernanda, qual acham mais usável?  

Ary & Ari

16.2.17



Texto editado, originalmente publicado em Maio de 2014

A lista de nomes mais populares em Portugal não é pródiga em nomes curtinhos, como Ari ou Ary. A ser rigorosa, em 2016, encontramos apenas trinta nomes femininos e trinta masculinos. Por aqui, já discutimos bastante a questão dos nomes com três letras e sei que não são consensuais. Há quem os ache desprovidos de conteúdo, tal como há quem os procure precisamente por serem despojados e por quebrarem com a tradição dos nomes mais compridos. Verdade seja dita, também não temos muito por onde escolher [poderão consultar a nossa lista de nomes curtinhos femininos e a lista masculina segue abaixo], já que os nomes aprovados são nomes pouco habituais entre nós. 
Ary, por exemplo, deverá dizer qualquer coisa a quem está familiarizado com o poeta Carlos Ary dos Santos e, neste caso, até creio que se trata de um apelido, mas não tenho a certeza absoluta. A origem de Ari tamém não é muito clara, mas poderá estar relacionada com o germânico Haric, significando "exército", com o hebraico Ari, que significa "leão" ou poderá mesmo significar "águia", pelo escandinavo. Curiosamente, é um dos poucos nomes que até me parece mais interessante com Y do que com I, o que é coisa rara. E pensando nisso, Ari e Ary até poderiam tornar-se mais populares, face ao elevado número de registos de Yara e Iara. Será assim tão "outra coisa"?


Lista de nomes masculinos com três letras, aprovados em Portugal: