As invulgares escolhas da Cláudia

31.3.11

Quando aos 17 anos a minha melhor amiga me disse que estava grávida e partilhou comigo o nome da bebé, a minha reacção deve ter sido qualquer coisa como "Ah?!!".  A pequerrucha que ia nascer tinha tudo para se chamar Jéssica ou Luana. Um nome modernaço, para combinar com uma mãe jovem; um nome desses que estavam na moda nos inícios dos anos 2000.
Mas não. O nome escolhido... Bem, ela conta a história melhor do que eu:

Nomes estranhos - Serão aprovado ou não?

30.3.11


De que me adianta comprar livros sobre nomes portugueses se nunca tenho a certeza se os nomes podem ou não ser usados? Para ilustrar a minha dúvida, usei como exemplo os nomes terminados em -ana. Recolhi bastantes - salvo três excepções, difícil foi escolher apenas um para cada letra. Pergunto: estão no livro... mas, e no livro de registos, poderiam estar?

  • Ameliana
  • Basiliana
  • Coriolana
  • Demetriana
  • Eugeniana
  • Fusciana
  • Gordiana
  • Helana
  • Justiniana
  • Lariana
  • Maximiana
  • Nemesiana
  • Oliviana
  • Priciana
  • Quintiliana
  • Ressana
  • Savana
  • Tiana
  • Ulpiana
  • Veridiana

Já ouviram algum destes nomes? Conhecem alguém que tenha algum destes nomes? Usariam algum?

Há quem tenha sorte... IV

29.3.11


Bem, neste caso é uma família inteira... Gostando-se ou não de todos os nomes, temos de admitir que que há aqui uma bela dose de inconformismo! 
Então, Virgílio Manuel, actualmente casado com Maria Lucena (sendo que neste caso, Lucena é apelido), é pai de Violeta e Sancha. Além disso, é também pai de Tâmara e avô de Flor.
O elo comum é esta gente toda é o Virgílio. Será que o facto de ele ter um nome pouco habitual condicionou a escolha dos restantes nomes (excepção feita ao nome da esposa, claro)? E Flor está ou não na moda?

Nomes terminados em -inho e em -inha

28.3.11


A madeMOIselle sugeriu aqui que fizesse um post sobre os nomes terminados em -inho ou -inha, que  considera "de uma doçura extrema e muito românticos". Na lista de aprovados não há muitos e aqueles que encontrei nos livros poderão ou não ser aprovados...


Femininos
  • Agostinha
  • Carminho
  • Clarinha
  • Gracinha
  • Joaninha
  • Julinha
  • Kérinha
  • Marinha
  • Martinha
  • Pequenina
  • Quintazinha
  • Rosarinho
  • Senhorinha
  • Santinha
  • Teresinha
  • Terezinha
  • Maria Laginha

Masculinos
  • Agostinho
  • Alfredinho
  • Formosinho
  • Joaninho
  • Longuinhos
  • Luizinho
  • Marinho
  • Martinho

Leitura Recomendada
- O linguista e a fixação da norma -

27.3.11

Para quem acha que a lei portuguesa relativa ao registo civil é muito rígida, aconselho vivamente a leitura de "O linguista e a fixação da norma", escrito pelo reputado Professor Catedrático Ivo Castro. O texto, que já tem alguns anos, é interessantíssimo na sua totalidade e levanta questões muito pertinentes, mas é no ponto II que podermos encontrar o seguinte excerto, que tomei a liberdade de copiar:

"Para que qualquer indivíduo adquira e usufrua do seu próprio nome é necessário que o Estado explicite, por meio de um processo de registo civil, a sua anuência não só com o nome escolhido, mas também com a forma como esse nome é grafado e pronunciado (... ). Mas o que mais importa não é o processo de registo do nome ser rígido, e sim o facto de ele estar ao serviço de uma normativa linguística que, por comparação com o que se passa em outras sociedades, pode ser classificada de muito apertada.

As interrogações que esse facto imediatamente suscita talvez não devam, todas elas e na sua totalidade, ser respondidas pelos linguistas. São questões como: "Porque não têm os pais total liberdade de dar aos filhos o nome que entenderem, com a forma que lhes apetecer?", "Deve a invenção de nomes novos ser permitida e estimulada?", "Deve a escolha do nome limitar-se ao património onomástico nacional?", "Deve liberalizar-se o uso de nomes estrangeiros?", "Deve permitir-se apenas a adopção de nomes vindos da área lusófona?", e por aí. Não são questões frequentemente colocadas, nem debatidas. O facto de a sociedade aceitar com impressionante unanimidade o regime vigente poderá significar que a normativa dispõe de aprovação geral. Nos últimos cinquenta anos (únicos de que há estatísticas), não houve mais de 4.000 reclamações contra a recusa oficial do nome que os pais queriam atribuir aos filhos."

Qual é a vossa opinião a respeito da existência de proibições? São puristas ou vanguardistas?

Duelo de nomes
- Carolina vs Catarina -

26.3.11


Será demasiado arriscado dizer que uma lista de nomes preferidos que inclua Carolina, terá também, muito provavelmente, Catarina? São nomes com um estilo muito semelhante, com tradição em Portugal e que se escutam há vários anos com muita intensidade. 

Infantes de Portugal - parte 2

25.3.11

Depois de ontem termos visto quais os nomes escolhidos por cada rei português para os seus filhos, hoje apresento os nomes dos infantes e o correspondente número de ocorrências:

Infantes de Portugal - parte 1

24.3.11


Agora é a vez dos Infantes... E aquilo que escrevi para as Infantas podia ser repetido aqui: a moda dos nomes muito compostos tardou a chegar, e há pouca variedade de nomes. Uma vez mais, a fonte de informação foi a Wikipédia. Eu brinco em relação à fiabilidade do site, mas a verdade é que encontro lá sempre coisas valiosas, como por exemplo esta explicação:

"Segundo a tradição da Casa Real de Bragança, todos os seus príncipes eram baptizados com os nomes próprios, seguido dos nomes dos três arcanjos - Miguel, Gabriel e Rafael. Após a implantação da República, em 1910, tem sido recusado aos descendentes de Miguel I de Portugal, o uso legal desses nomes, da sua tradição familiar".  

Aqui vamos nós:


Infantas de Portugal - parte 2

23.3.11

Ontem vimos o nome de cada Infanta portuguesa e hoje vemos o número de ocorrências de cada nome, individualmente, sem levar em consideração se é primeiro ou último nome. Os resultados são os seguintes:

Infantas de Portugal - parte 1

22.3.11


Hoje debruço-me sobre os nomes das Infantas de Portugal, baseando-me nessa muy nobre e fidedigna fonte de informação que é a Wikipédia. Foi lá, aliás, que li o seguinte:
"A atribuição dos nomes aos infantes era feita de forma criteriosa. O usual era que se o primogénito fosse um rapaz recebesse o nome do avó paterno, enquanto que se fosse rapariga, receberia o da avó. Com os segundos filhos o critério era o mesmo, apenas com a diferença de serem os nomes dos avós maternos".
Nas primeiras dinastias, os reis andavam muito ocupados a conquistar mais terrenos para o Condado Portucalense e não podiam perder muito tempo com o nome das filhas. Vai daí, escolhia-se só um nome para as pequenitas (e alguns davam-se ao luxo de repetir os nomes, especialmente se as infantas forem fruto de casamentos diferentes... D. Afonso Henriques, por exemplo, teve duas Urracas (!) e duas Teresas).

Vejamos:

Nomes das novelas: Anjo Meu

Estreou recentemente uma nova novela na TVI, cuja acção se passa em 1985.  Passei por este site e recolhi os nomes das personagens que me parecem estar na casa dos 20/25 anos e o resultado é o seguinte:
  • Zé Maria
  • Carolina
  • Duarte
  • Eva
  • Maria Clara
  • Maria Francisca
  • Maria da Graça
  • Maria da Purificação
  • Matias
  • Matilde
  • Miguel
  • Simone
  • Teresa
  • Vasco Afonso

Nomes de crianças/pré-adolescentes (provavelmente nascidos nos finais dos anos 70, início dos anos 80):
  • Isabel
  • Lara
  • Simão

Na vossa opinião, estes nomes reflectem a realidade das crianças que nasceram nos anos 60/70? E o nomes dos mais jovens, são nomes indicativos de crianças nascidas em meados de 70, início dos anos 80?

Nomes primaveris para meninas

21.3.11


Começa hoje mais uma Primavera (por curiosidade, faz parte do lote de não admitidos, mas eu conheço uma Maria Primavera e as páginas brancas também têm registos de pessoas com esse primeiro nome). Idealmente, os próximos três meses serão marcados por muito Sol e muita Luz. Na natureza, começa o florescimento da Clívia, da Estefânia, da Orquídea, da Ortênsia e da Magnólia e o reflorescimento da Flora.

A ideia era fazer um texto muito lamechas sobre a Primavera, mas depois deparei-me com este nome: Magnólia Violeta. Escusado será dizer que fiquei demasiado eufórica para conseguir escrever mais sobre o assunto e tive de pesquisar nomes de flores.  Entrei nesta página e e encontrei nomes maravilhosos - que nunca seriam admitidos - mas que, uma vez descobertos, tinham de ser partilhados, como Asarina, Bauinia, Echium, Primula, Russelia, Salvínia e Vriésia. Já aqui encontrei Íxia e Zínia e aqui, procurando sobre plantas, encontrei Agláia, Endro, Orélia e Zâmia.

Mas o que importa é a lista de nomes Primaveris para meninas e aqui está ela: 


  • Açucena
  • Alegria
  • Amora
  • Aurora
  • Bela
  • Celeste
  • Clara
  • Cloé
  • Dália
  • Dulce
  • Felicidade
  • Flor
  • Graça
  • Íris
  • Letícia
  • Lis
  • Lúcia
  • Luz
  • Margarida
  • Melina
  • Melissa
  • Mia
  • Nina
  • Noa
  • Rosa
  • Serena
  • Túlipa
  • Vida
  • Violeta


Nomes femininos terminados em -ora



Andava a repensar esta história dos posts sobre as terminações, porque acho que os leitores não reagem aos mesmos muito positivamente, mas acabo por voltar sempre ao motivo que me levou a criar estas listas. Há nomes muito semelhantes, que simplesmente ninguém usa e que são extraordinárias alternativas para nomes mais populares.

  • Aldenora
  • Aldora
  • Amora
  • Aurora
  • Bárbora
  • Cipora
  • Cora
  • Débora
  • Dinora
  • Dora
  • Eleonora
  • Eudora
  • Fédora
  • Flora
  • Heliodora
  • Isadora
  • Isidora
  • Leonora
  • Pandora
  • Salvadora
  • Séfora
  • Teodora
  • Zora

Nomes clássicos portugueses

20.3.11



Para mim, um clássico tem que ser um nome que atravesse décadas mantendo-se sempre usável e, nesse sentido, aponto os seguintes nomes como clássicos indiscutíveis:


Masculinos


  • Alexandre
  • André
  • António
  • Carlos
  • Daniel
  • David
  • Duarte
  • Eduardo
  • Filipe
  • Francisco
  • João
  • José
  • Luís
  • Manuel
  • Miguel
  • Pedro
  • Vasco 
  • Víctor


Femininos


  • Ana
  • Carlota
  • Catarina
  • Carolina
  • Eduarda
  • Helena
  • Isabel
  • Joana
  • Luísa
  • Maria
  • Mariana
  • Teresa


Simples, bonitos, elegantes e nunca saem de moda. Com estes, é impossível errar! Na vossa opinião, quais são os nomes clássicos portugueses? 

Sugestão dos leitores: os nomes dos jogadores de futebol

19.3.11

Este texto não é novo, talvez nem vá ao encontro do pretendido por quem sugeriu o tema, mas não deixa de ser muito engraçado. São dezenas de nomes de jogadores de futebol, alguns deles muito invulgares. Ora, se a sugestão do leitor tinha como objectivo conhecer o nome próprio dos jogadores que muitas vezes são chamados pelo apelido, sugiro que passe pelo site da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, porque está lá tudo. É mesmo isso, há vida para além de Cristiano Ronaldo, Rúben Micael e Fábio Felício:

Filhos dos famosos portugueses - Maria Luísa

18.3.11

O ex-futebolista Dani foi pai de uma menina, cujo nome é Maria Luísa, em homenagem à avó.

Duelo de nomes
- Miguel vs Pedro -


O duelo de hoje coloca frente-a-frente dois pesos pesados dos nomes portugueses, numa batalha épica.: Miguel e Pedro. São dois nomes intemporais: embora existam muitos avôs, tios e pais com estes nomes, continuam a ser muito frequentes nas creches (ocupam respectivamente o 11.º e 12.º lugar do ranking de nomes masculinos mais usados em Portugal durante o ano de 2010). 
São dois nomes da monarquia, clássicos e curtos. E juntos dão origem à popular combinação Pedro Miguel...


Nomes da monarquia: Grão-Ducado do Luxemburgo

17.3.11


Os pais do actual Grão-duque do Luxemburgo são João Bento Guilherme Roberto António Luís Maria Adolfo Marcos [Jean Benoît Guillaume Robert Antoine Louis Marie Adolphe Marc d'Aviano] e Josefina Carlota Ingeburga Elisabete Maria Josefa Margarida Astride [Joséphine Charlotte Ingeborg Elisabeth Maria Josepha Marguerite Astrid]. 
O casal teve cinco filhos:


Resposta ao leitor - Martim e não Martin

16.3.11


Um visitante deixou na caixa de sugestões a seguinte pergunta: Por que é que Martim é admitido com M e não com N no fim? Infelizmente, não lhe sei responder com segurança a essa questão. 
Martim deriva da palavra latina Martinus. Não sei qual o fenómeno fonético que transformou Martinus em Martinho e, depois, em Martim, mas não deverá andar muito longe da nasalação e da palatalização. Não sendo eu especialista em linguística, creio que essa proibição se baseia na simples evolução da língua portuguesa, da qual existem outros exemplos, como visto nesta lista de nomes masculinos terminados em -im.
O N fica reservado para as palavras terminadas em M, mas no plural, seguido de S, originando, neste caso, Martins, também autorizado como nome próprio. 

Talvez passe por aqui alguém que lhe possa dar a resposta correcta... A minha não deixa de ser uma suposição baseada nas longínquas aulas de Latim!

ACTUALIZAÇÃO
Entretanto chegou-me uma explicação mais académica, que passo a citar:

"Esta questão faz sentido, porque, na verdade, trata-se do mesmo som, quer se grafe com "n" ou "m". Acontece que, em português, quando se trata deste som ("i" nasalado), a regra é que com "in" se grafam apenas as vogais nasais que ocorrem no início ou no meio da palavra (como em "intenso", "cinto") e no final apenas se o som for precedido de "s" (como em rins). Grafa-se com "im" antes de "p" e "b" ("impossível", "imberbe") e - esta é a regra que nos interessa - no final de palavra (como é o caso de "Martim").

Há, no entanto, alguns casos de palavras que terminam em "in", mas é preciso notar que se trata de palavras que foram importadas de outras línguas e não sofreram nenhuma adaptação ortográfica ao português: como é o caso, por exemplo, de "check-in"."

S., muito obrigada pela paciência!

Lisa


A caixinha de sugestões já conta com mais de 100 nomes, e um dos que tem mais seguidores é LisaTrata-se de um nome inicialmente usado como diminutivo de Elisabete (ou dos autorizados Elisabeta e Elisabeth)  e, consequentemente, de Elisa, mas que ganhou vida, subindo à categoria de nome próprio.
Em Portugal, não tem grande expressão - tenho-o ouvido sempre como diminutivo; no Brasil, também não consta da lista dos cem nomes mais usados do Baby Center. 
Remete-me de imediato para o desenho animado Lisa Simpson; eu não o usaria como nome, porque não gosto da ideia que transmite (plano, vazio, sem marcas...) e ao contrário do que se passa no estrangeiro, onde Elisabeth é um nome muito apelativo, eu não consigo achar piada.

Outros nomes que poderiam ser utilizados com o diminutivo Lisa:
  • Analisa
  • Belisa
  • Cidalisa
  • Delisa
  • Elisama
  • Lisana 
  • Lisandra 
  • Marilisa

Leitura Recomendada - Segundos nomes

15.3.11

A Rádio Comercial lançou hoje um desafio aos ouvintes: divulgar na página do Facebook da rádio o segundo nome. Já encontrei algumas pérolas... 

Não sei se é só impressão minha, mas há uma desvalorização muito grande do número de pessoas que na verdade é chamada pelo segundo nome...

Lista de nomes femininos terminados em -cia



Quem segue o blog sabe que Lúcia é um dos meus nomes preferidos, incluído na lista dos muito usáveis. E actualmente tenho conhecimento de várias Alícias e Letícias. Já nos anos 80, Márcia era um nome bastante comum... Aqui fica uma lista de outros nomes com a mesma terminação:

Atualização da lista de nomes aprovados em Portugal

14.3.11

O Instituto dos Registos e Notariado actualizou a lista de vocábulos admitidos e não admitidos como nomes próprios. Ainda não tive tempo de explorar, mas é óbvio que vou procurar detalhadamente por alterações interessantes... 
Como curiosidade, posso revelar que o primeiro nome que procuro sempre que a lista é actualizada é Mel... E não, ainda não é admitido como nome feminino...

Filhos dos famosos - Rosa

Nasceu a filha do humorista dos Gato Fedorento, José Diogo Quintela, e o nome escolhido é Rosa. Que bela surpresa! Lembro-me de há uns anos a jornalista Felipa Garnel também ter escolhido esse nome para a filhota, de forma a homenagear uma amiga.

"Rose" é uma escolha muito comum nos EUA e Inglaterra, mas em Portugal saiu de circulação... Será que está a voltar?
Qual é a vossa opinião sobre este nome?

Ana Filipa


Hoje debruço-me sobre o meu próprio nome, que adoro! 

A combinação Ana Filipa foi registada 32 vezes em 2013. Coisa pouca, se tivermos em conta que Ana foi o 7.º nome mais usado em meninas em 2013 e que Filipa foi o 43.º;  menos ainda se pensarmos que Filipa foi o 3.º segundo nome mais usado, estando presente em 1238 combinações! Possivelmente, o cenário seria outro na década de 80, quando eu nasci... 

  • O começo
Sempre tive uma relação ambígua com o meu nome completo que, registe-se, tem 5 palavras e 28 letras. Durante a minha infância, nunca me chamavam pelo primeiro nome, tanto que alguns dos meus primos  desconheciam a sua existência. Eu era sempre chamada pelo meu segundo nome - ou melhor, pelo  diminutivo ou  hipocorístico. E a vida corria-me bem. Até que fiz cinco anos.

  • A percepção errada do meu próprio nome
Creio que já o contei aqui: quando entrei para a escola primária, achava que o meu nome era uma invenção dos meus pais, porque na minha turma havia alguns meninos com a versão masculina do nome, mas nenhuma menina. Invenção ou cópia de invenção, porque havia uma senhora na TV que também tinha o mesmo nome. Fosse como fosse, não me agradava particularmente. 
O começo da escola primária também correspondeu ao momento em que comecei a ser associada ao meu último nome - e se eu não gostava do meu nome próprio, não haveria quem me fizesse gostar do meu apelido  e foi nessa altura que desenvolvi uma espécie de rejeição às minhas 28 letrinhas. 
Eu só queria ser Joana, Tânia, Liliana ou Mariana, um desses nomes que eu sabia que eram de menina - havia tantas à minha volta! E queria um apelido simples, curto, que eu não fosse obrigada a soletrar três vezes por dia, porque ninguém o sabia escrever. Claro que não partilhava com ninguém estas inquietações - já então eu sabia que gostar de nomes/fixar nomes/analisar nomes não era uma coisa muito valorizada.

  • Eu e as outras
Quando passei para o quinto ano, mudei de escola e foi nessa altura que tudo se alterou. Em cada turma havia pelo menos uma menina com o nome igual ao meu. Não igual, igual, o primeiro nome costumava ser diferente, mas afinal eu não andava sozinha pelo mundo. Nem eu, nem a tal senhora da TV, nem uma rainha que entretanto eu descobrira e que já era a minha rainha preferida de todos os tempos. 
Este sentimento de pertença deve ter durado uns belos dois dias. Porque logo de seguida, desenvolvi um feroz sentimento de posse. Se antes eu era a única com aquele nome, depois eu era apenas uma entre muitas. E isso implicava ser chamada por nome+apelido. Aterrorizante.

  • A valorização do primeiro nome
Já no secundário, foi a vez do meu primeiro nome ganhar destaque. Não só um, mas dois professores preferiam chamar-me pelas três letrinhas apenas. E pela primeira vez na vida, até fazia sentido, mesmo quando tinham de chamar três ou quatro vezes até que eu percebesse que estavam a falar comigo. 
Tal como fez sentido que, anos mais tarde, durante o meu estágio profissional, todos me chamassem Ana.

  • A versão pindérica do diminutivo do meu nome, que acabou por pegar
Na universidade, o meu segundo nome foi transformado pelas minhas amigas num hipocorístico copiado das revistas cor-de-rosa, que pouco me agradava mas que servia para me diferenciar de outra grande amiga com o mesmo nome. E uma distracção deu origem a uma nova versão do meu apelido e desde então, respondo orgulhosamente às minhas amigas com um nome totalmente diferente do meu nome verdadeiro.


Hoje em dia, adoro o meu nome. O significado faz-me sorrir (a que gosta de cavalos), a percepção que dele existe nos outros países deixa-me um pouco desanimada, mas eu não o trocaria por nada. E é muito raro recomendá-lo, porque gosto dele só para mim. 
O meu nome é Ana Filipa. 

Actualização da lista de nomes preferidos

13.3.11

No final do ano passado, partilhei alguns dos meus nomes preferidos. Hoje, por sugestão dos leitores, divulgo mais alguns. Quero voltar a lembrar que esta não é a lista de uma grávida. Eu gosto muito destes nomes, mas admito que talvez pensasse duas vezes antes de escolher um deles para um filho; mas como imaginam, é impossível manter diariamente um blog sobre nomes e não se deixar encantar por significados mais invulgares, sonoridades extravagantes ou grafias visualmente marcantes.


Masculinos
  • Arine
  • Duarte
  • Hugo
  • Indra
  • Jerónimo
  • Leonardo (especialmente por causa do diminutivo Leo)
  • Lopo
  • Marino
  • Rafaelo
  • Vinício

Femininos

  • Branca
  • Corália
  • Eleonora
  • Eudora
  • Evelina
  • Íngride (embora o "e" final estrague muito o nome...)
  • Juliana
  • Lira
  • Melissa
  • Pia 

Quais são os vossos nomes preferidos? Há algum que adorem, mas que nunca seriam capazes de usar?

    Nomes medievais portugueses

    12.3.11


    Indo ao encontro de uma sugestão de um leitor, deixo aqui alguns links referentes aos nomes usados em Portugal há muitos séculos. Infelizmente, as páginas estão em inglês, mas os nomes são fáceis de encontrar:

    1. Nomes portugueses 1350-1450 
    2. Nomes femininos encontrados em Lisboa em 1565
    3. Nomes masculinos encontrados em Lisboa em 1565
    4. Nomes retirados de cartas de D. João III

    Não posso deixar de registar aqui alguns nomes que me chamaram a atenção:

    Masculinos

    • Amrrique (Henrique)
    • Clodio (Cláudio)
    • Eytor (Heitor)
    • Guaspar  (Gaspar)
    • Geronymo  (Jerónimo)
    • Gonçalvo (Gonçalo)
    • Symao ou Syman (Simão)


    Femininos

    • Breatiz / Britiz (Beatriz)
    • Crara (Clara)
    • Eyria (Iria?)
    • Guymar(Guiomar)
    • Ilena (Helena)
    • Lianor (Leonor)
    • Margaida (Margarida)



    Duelo de nomes
    - Madalena vs Margarida vs Mariana -

    11.3.11


    Na lista de nomes femininos mais usados em Portugal no decorrer de 2010, existem 5 nomes começados por M, o que de certa forma atribui um certo estatuto fashion à 13.ª letra do nosso alfabeto (ok, 12.ª se não contarem o K). Hoje resolvi juntar três desses nomes, por terem a particularidade de serem nomes de quatro sílabas, e dos longos, daqueles que demoram a dizer.


    Diminutivos de nomes próprios

    10.3.11


    Regra geral, na língua portuguesa, o diminutivo forma-se acrescentando-se o sufixo -inho ou -inha. No caso dos nomes próprios isso origina como que uma contradição - não diminui o nome, apenas o torna mais comprido. De acordo com o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa"melhor que falar de diminutivo a propósito de nomes próprios é usar o termo hipocorístico, o qual corresponde a um palavra criada ou modificada com intenção de carinho e para uso no trato familiar ou amoroso". 

    Honestamente, para procurar hipocorísticos interessantes, tive de me socorrer dos meus queridos brasileiros, peritos na criação dos mesmos. A lista seguinte é extensa e tive de me esforçar para descobrir a que nomes alguns deles correspondiam. Ora vejam:

    Os nomes e a música

    9.3.11

    Este post é mais vocacionado para os leitores cheios de sorte, que podem escolher o nome que bem entenderem para os filhos. Se quiserem um nome de um músico cheio de talento, podem escolher qualquer um da lista... Vá, pelo menos eu acho-os talentosos!! Aproveito para partilhar um pouco mais das músicas que me acompanham enquanto escrevo os textos para o blog e que muitas vezes servem como fonte de inspiração...

    Leitura recomendada - Tendências brasileiras

    8.3.11

    Achei este artigo muito interessante. Aborda algumas tendências dos nomes para bebés no Brasil, e vejam o que diz de Lara e Clara:

    "As novelas e os artistas continuam sendo a grande referência para o surgimento de modismos. "Assim como Lara entrou na moda por causa da personagem de Mariana Ximenes na novela 'A Favorita', agora Clara volta com força, devido à vilã que a mesma atriz interpreta em 'Passione'", diz." [a linguista Maria Vicentina do Amaral Dick]

    Nomes da música portuguesa

    No seguimento do post anterior, lembrei-me de pesquisar alguns nomes de cantores portugueses, cujos nomes poderiam servir de inspiração a muitos papás: 


    Micaela

    7.3.11


    Este nome tem andado a invadir os meus pensamentos, deixando-me com uma dúvida cruel. Terá uma cantora arruinado um nome para, pelo menos, duas gerações? Falo de Micaela. Esqueçamos a música "Chupa no dedo" por uns segundos e concentremo-nos no nome: comprido, com uma terminação muito na moda, que permite um diminutivo muito fofo (Mica ou Mika). Trata-se de uma versão mais contemporânea de Miquelina, ou seja, é o feminino de Miguel. Nos EUA, está em alta, especialmente na versão criativa Makayla. 
    Em 2013, Micaela foi registado 25 vezes em Portugal o que, sinceramente, é bastante positivo para um nome que acarreta uma carga tão negativa. E num país que adora os nomes aristocratas, servirá de alguma coisa referir quen é um dos nomes de Maria Francisca, filha de Duarte Pio?
    Pois bem. Para quem não gosta do estilo musical da referida cantora, talvez seja um bocado difícil não pensar na palavra "pimba" assim que se ouve o nome; será este receio legítimo? Usariam este nome?
    Apesar do possível constrangimento, é um nome que me agrada imenso e tenho muita pena que não seja mais usado! 

    Nomes da monarquia - Casa Real do Liechtenstein

    6.3.11


    Só vos digo que escrever o nome do Principado é facílimo quando comparado com a árvore genealógica desta família!!

    A já falecida Condessa Georgina Norberta Joana Francisca Antónia Maria Rafaela [Georgine Norberte Johanna Franziska Antonie Marie Raphaela] e o também falecido Príncipe Francisco José Maria Aloísio Alfredo Carlos João Henrique Miguel Jorge Inácio Benedito Gerardo [Franz Joseph Maria Aloys Alfred Karl Johannes Heinrich Michael Georg Ignaz Benediktus Gerhardus Majellativeram] cinco filhos: 


    Fernanda - a mesma língua mas grandes diferenças

    5.3.11


    Não é a primeira vez que o refiro: uma grande porção dos visitantes deste blog são brasileiros. E a caixinha de sugestões reflecte isso mesmo, com a presença de nomes como Nicolly ou Mirella. Curiosamente, o nome que mais facilmente reconheço como sugerido por um leitor brasileiro é Fernanda.
    É a versão feminina e marcadamente latina do germânico Ferdinand; significa algo como "guerreira destemida". É um trissílabo longo, de 8 letras, reconhecido em todo  o mundo (e bem o podemos agradecer aos Abba).

    Fernando é um nome com muita tradição em Portugal - quanto mais não fosse, tivemos o grande Fernando Pessoa. E um rei com esse nome. Só nas Páginas Brancas existem 43.982 registos residenciais com Fernando. E 12.941 Fernandas (um número muito menos expressivo talvez devido ao hábito de as contas serem enviadas em nome do pater familias). Estes números não correspondem de maneira nenhuma a estatísticas muito credíveis, mas dão-nos uma pequena ideia da popularidade do nome por estas bandas. 

    De acordo com o ranking não oficial elaborado pelo Baby Center Brasil, Maria Fernanda ocupa o 43.º lugar e Fernanda o 45.º. Tem de equivaler a muitos bebés. Só no site do Ego, dedicado às celebridades brasileiras, encontrei nas primeiras três páginas 10 referências diferentes: Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Fernanda Lima, Fernanda Pontes, Fernanda Rodrigues, Fernanda Paes Leme, Fernanda Souza, Fernanda Motta, Fernanda Vasconcellos, Fernanda Tavares... Exceptuando a primeira e a segunda (mãe e filha) as restantes andam na casa dos 20, 30 anos. 

    Não é que não existam em Portugal "Fernandas" mediáticas - veja-se Fernanda Serrano, Fernanda Freitas, Fernanda de Oliveira Ribeiro - mas são mulheres na casa dos 40 anos... Fernanda já não é nome de bebé em Portugal há uns anos, tal como Manuela (7.º lugar no mesmo ranking do BCB).

    Conhecem alguma pequenita com algum destes nomes? O charme destes nomes poderá ser explicado pelos diminutivos adoptados no Brasil, Fê e Manu? Será que Manuela poderá beneficiar da recente moda de Isabela?

    Bernardo

    4.3.11


    Bernardo tornou-se numa escolha comum ao longo dos anos 90, mas o seu melhor resultado aconteceu em 2002, quando foi usado em 753 meninos, o que o transportou até à 26.ª posição do ranking. Entretanto, perdeu um pouquinho de popularidade, estando agora fora do top 30. É um nome de origens alemãs, significa "forte como um urso" e, curiosamente, tem como embaixador mais marcante o fofíssimo cão "São Bernardo". Por isso mesmo, há muito boa gente que lhe torce o nariz. 
    Acho que é um nome bonito, elegante, com alguma sofisticação mas, pessoalmente, não sei se o escolheria para um filho, devido ao facto de ser um nome que tenho dificuldade em pronunciar e sem grandes possibilidades de diminutivos óbvios. Estabelecendo uma comparação, preferia optar por Leonardo, com diminutivo Leo















    Outros nomes terminados em -ardo:

    • Abelardo
    • Berardo
    • Eberardo
    • Eduardo
    • Everardo
    • Hildegardo
    • Janardo
    • Ricardo

    Lia e Mia

    1.3.11


    Até agora, o nome Mia foi o mais sugerido pelos visitantes do blog, mas houve outro nome curtinho em destaque - Lia. Eu gosto de ambos os nomes. Lia (ou Lea) deriva do hebraico Leah, e o significado gravita à volta de exausta e impaciente. No mundo das celebridades, o nomes está em polvorosa, devido à super estrela de Glee, Lea Michele.
    Mia, por seu turno, é referido sempre como o diminutivo de Maria e, na verdade, pessoalmente, prefiro-os como diminutivos. De Amália, Liana, Leandra, Emília, Maria, Mariana, Noémia, entre outros, mas são encantadores como nomes próprios. E sem dúvida, fogem aos nomes tradicionais portugueses.

    Qual é  vossa opinião? Têm preferência por algum dos dois?