Duelo de nomes - César vs Óscar

31.8.18


No final de 2017, quando comecei a planear as publicações para o ano que se ia iniciar, decidi que dedicaria especial atenção aos nomes simples. À primeira vista, esta adjectivação pode parecer um tratamento de desprestígio, mas está muito longe disso, e o que esta simplicidade espelha é apenas a vontade expressa por muitos pais de evitar os nomes aristocráticos e os nomes modernos. Estes são nomes que não escutamos habitualmente em crianças, que não são do tipo que recebe automaticamente elogios. E sabemos que isso semeia a dúvida e a insegurança sobre a sua usabilidade, porque por mais que não queiramos admitir, a opinião dos outros conta. 
Hoje trago-vos mais dois destes nomes simples e que, na minha opinião, são perfeitamente usáveis. César & Óscar são nomes com bastante tradição em Portugal e que se encontram com facilidade noutros pontos do globo. César é nome de imperador, Óscar é nome de poeta. O que pensam destes nomes e qual é o vosso preferido? Não se esqueçam de votar!

Atualização - resultado da sondagem



Duelo de nomes - Mário vs Vítor

4.5.18


Mário é o primeiro nome do meu marido e aquele que ele usa profissionalmente. Tenho dificuldade em pensar nele como Mário - para mim, ele é tãaaao André! - mas é um nome sólido, discreto, que o tem acompanhado muito bem na idade adulta. Apesar de não estar habitualmente entre as minhas sugestões, porque em geral os pais que me procuram preferem outro tipo de nomes, acho que Mário é mais do que recomendável. Penso o mesmo sobre Vítor. E, lá está, é outro dos nomes que raramente menciono, porque não é um super-clássico [mas está na minha lista de nomes clássicos portugueses!], não é um nome da moda, nem um nome de quem já ninguém se lembra. Felizmente, ainda há pais despertos para estes nomes: em 2017, Mário foi escolhido para 83 meninos, e Vítor [38], Victor [30] e Vitor [11], somam um total de 79 registos. 
O que pensam destes nomes? Dos dois, qual é o vosso preferido? Não se esqueçam de votar! 

Atualização - Resultado da sondagem



Duelo de nomes - Jaime vs Tomé

16.2.18


Jaime Tomé são dois dos meus nomes portugueses preferidos e já vos ando a dizer há muito tempo que devíamos dar-lhes mais carinho e atenção! Talvez agora, com enorme popularidade de Alice, seja a hora de olharmos para nomes masculinos mais tradicionais e menos aristocráticos e, a meu ver, Jaime e Tomé são das opções mais interessantes que temos ao nosso dispor! 
Apesar de estarem ambos no top 100 de nomes masculinos registados em Portugal [Jaime desde 1999 e Tomé desde 2006], nenhum dos dois conseguiu chegar à marca dos cem registos anuais; Tomé ocupa agora a 64.º posição, com 80 registos, e Jaime a 71.ª, com 63. Do meu ponto de vista, são boas notícias, mas nem que chegassem aos 200 registos isso seria um incómodo, portanto queridos pais que andam à procura de nomes giros e que não se ouvem tanto, façam o favor de olhar bem para estes dois! O que é que vocês acham de Jaime & Tomé? Qual é o vosso preferido? Não se esqueçam de votar! 

Resultado da sondagem:





Duelo de nomes
- Carlos vs Joaquim -

13.10.17


Para o duelo de hoje, escolhi dois nomes muito tradicionais, que se usaram imenso na primeira metade do século XX mas que, entretanto, foram perdendo o brilho e deixaram de apelar da mesma forma aos pais portugueses. 
Apesar da perda de popularidade ter afectado ambos, acho que gozam de um estatuto ligeiramente diferente. Na minha opinião, Carlos é um dos nomes clássicos portugueses, mas tenho alguma dificuldade em incluir Joaquim nesta categoria, porque desde os anos 80 que se usa manifestamente menos, se nos lembrarmos que estava no top 10 até 1960. É discutível, mas creio que, durante algum tempo, ficou ligeiramente datado e um clássico não passa de moda. Contudo, face ao conjunto de nomes que temos visto ressurgir, parece-me que Carlos e Joaquim podem voltar novamente a fazer parte das listas dos futuros pais. 
O que pensam destes nomes? Qual deles vos parece mais usável? Qual é o vosso preferido? Não se esqueçam de votar! 

Atualização - resultado da sondagem: 




Noé

11.9.17


Aos poucos, Noah & Noa têm vindo a conquistar os portugueses, possivelmente porque são nomes modernos, diferentes, serenos e delicados. No entanto, também sabemos que, apesar de se notar que já há mais abertura para o uso de nomes estrangeiros, a grande maioria dos portugueses continua a preferir registar os filhos com nomes mais próximos da cultura portuguesa. 
Assim, gostava de saber o que acham de Noé. Apesar de ser uma variante de Noah, acho-o mais vibrante mas muito menos jovial - e não vejo isso como um problema! Em 2011, fiz um duelo entre os dois, que Noah ganhou com larga vantagem e tenho a certeza de que se o repetisse, o resultado seria semelhante, mas Noé [que significa "descanso" ou "de larga vida"] tem ou não potencial? 

Carlos

7.2.17


Já andava há muito com vontade de revisitar os nomes clássicos portugueses, porque não são nomes muito apaparicados aqui no blog. Reconheço-lhes todas as virtudes, são muito simpáticos, escolhas coerentes com a nossa cultura mas raramente integram as minhas listas de favoritos, por serem muito comuns, ouvidos em todo o lado, a toda a hora. São óptimos, apenas não são para mim. Como é evidente, nesta lista de clássicos está Carlos que, nas suas imensas variantes, também é um clássico a nível internacional.
Com origem no germânico Karl, significa "homem" mas há também quem o relacione com "forte". E sim, Carlos é mesmo sinónimo de homens fortes, como o ilustra Carlos Magno, imperador romano e principal difusor do nome, sobretudo na Europa que, mais tarde, o foi reproduzindo pelas suas casas reais e Portugal não foi excepção. Quem não se lembra da aula de história em que fomos confrontados com o regicídio de D. Carlos?! Apesar de, com todo o mérito, integrar a lista de nomes aristocráticos [no longínquo ano de 2011, contei 12 nas casas reais europeias], Carlos é, na minha opinião - e sem nenhum desprimor! - um nome muito simples e até dá que pensar que uma das suas variantes femininas, Carlota, seja considerado tão elitista! 
Como primeiro nome, Carlos não me apaixona, mas acho que ganha outra vida quando usado no tradicional João Carlos. O meu desencanto parece apenas acompanhar a tendência da sociedade portuguesa que, a cada ano, se tem vindo a desinteressar deste nome. Entre 1920 e 1980, Carlos era presença assídua no top 10; passou quase toda a década de 90 no top 15, conseguindo sempre ultrapassar os mil registos anuais.  Em 2000 ainda rondava o top 20 mas, em 2010, já ocupava a 45.ª posição. Deixo-vos com um pequeno histórico dos últimos anos: 






Mário

9.1.17


A propósito do falecimento de Mário Soares, figura incontornável da sociedade portuguesa, volto a publicar este texto, originalmente escrito a 8 de Março de 2013: 

Apesar da minha paixão por nomes compridos e fortes, também aprecio muito os nomes discretos. Já tenho falado aqui de alguns e hoje chegou o dia de Mário,  que deriva do latim "marius" e significa "relativo ao deus Marte". Antes mesmo de começar a escrever, tentei pensar na quantidade de Mários que conheço pessoalmente e concluí que não são muitos. Brinquei, em pequenita, com o meu vizinho Márinho mas, depois disso, tive de esperar quase quinze anos para conhecer outro. Contudo, depois, pensando nos Mários espalhados pelo país, percebi que é um nome muito marcante na nossa sociedade e que, a meu ver, tem tudo para nos encantar, outra vez. E digo "outra vez" porque, por curiosidade, espreitei os dados informais do SPIE, que indicam que, até 1979, Mário se manteve bem acima dos 500 registos, sendo o seu melhor resultado no ano de 1962, com 1463 registos. Em 1990, Mário ainda estava no top 30, em 2000 no top 50 mas, entretanto, em 2016, ficou-se pela 68.º posição do ranking, com 69 registos.
De certa forma, acho que são números bastante positivos, já que os nomes mais procurados para meninos são tão diferentes deste simples e recatado Mário. Além do mais, penso que é o tipo de nome que não ficou saturado e, retomando a ideia de que está na altura de o olharmos com mais carinho lembro, que a partir de 1970, Mário foi, de certa forma, substituído por Marco, o que fez com que não ficasse conotado como "nome dos anos 80". Para mim, Mário partilha do estilo de Artur, Raúl, Tomé, José ou César. Não dão nas vistas, mas não deixam de ser agradáveis ao ouvido! Acham usável ou não?

Rosa - OK ou KO?

14.6.15


Se encaramos a temática do uso dos nomes em Portugal com seriedade, sabemos perfeitamente que as escolhas do momento vão obedecendo a critérios temporais difíceis de contornar e que a ideia de atribuir um nome datado a um bebé não é nada bem vista. Ainda assim, há momentos em que me interrogo se uma determinada tendência terá força suficiente para trazer de volta um nome que neste momento está engavetado na geração das tias e dos tios - que corresponde sempre à geração cujos nomes tentamos evitar a todo o custo. Pensemos, por exemplo, em Rosa.

Os nomes de 1920 estão na moda

Olhando para as tendências atuais, este seria o momento ideal para o seu regresso, já que alguns dos seus companheiros da geração de 1920 que caíram em desuso voltaram a usar-se: Laura e Alice estão muito bem posicionados em redor do top 20, Victória e Júlia rondam o top 50 e Amélia já está no top 100. Rosa está no grupinho que luta pelo acesso aos cem mais populares, juntamente com Emília, Olívia e Aurora.

Inácio

4.10.13


Quem vai acompanhando o blog já percebeu que, ultimamente, tenho focado a minha atenção num determinado grupo de nomes para o qual ainda não consegui arranjar uma definição que me satisfaça. "Simples" é a palavra que me ocorre, mas parece-me um adjetivo demasiado redutor e temo que possa ter alguma conotação negativa quando, pelo contrário, a simplicidade é uma característica que aprecio muito.  
Como em tantas outras coisas, os nomes são sujeitos às modas e acredito que já estamos em transição. É provável que estes nomes "simples" não cativem as massas mas já há muito que defini que não é esse caminho que tenho que percorrer. 
Inácio integra na perfeição o lote de nomes simples, comuns, reconhecíveis e pouco exuberantes. É um nome com bastante tradição em Portugal, inclusivamente como apelido, mas é um nome que hoje praticamente não se usa, já que  foi apenas registado quatro vezes em 2011 e em 2012. Felizmente, em 2014 subiu para oito, mas o número ainda é inexpressivo. Ora, excluindo a óbvia e subjectiva questão do gosto pessoal, este desuso é o único defeito que lhe consigo apontar. Acho que posso fazer aqui uma ponte com o post recente sobre Rosa: quanto mais lia e relia os vossos comentários, mais me convencia de que já nos estamos a preparar para o regresso destes nomes que hoje "não se usam", porque noto que o nível de rejeição total tem vindo a baixar, e a expressão "não se usam" já aparece mais vezes seguida de um "mas...". 
Inácio chega até nós pelo latim "Ignatius" ou "Egnatius", através do grego "Ignatiós", e significa ardente, por aproximação ao latim "ignis", que significa fogo. E eu acho que é um nome a ter em consideração, até porque não se afasta assim tanto do popularíssimo Inês... 

Joaquim
- Em nome do pai -

27.5.13


Pensem um bocadinho e digam-me: seria assim tão espantoso se todas as famílias portuguesas tivessem um Joaquim na sua árvore genealógica? Creio que não, já que foi um nome muito popular em Portugal durante décadas. Depois de anos e anos no top 10 (foi 4.º em 1920, 5.º em 1930, 5.º em 1940, 6.º em 1950 e 9.º em 1960), Joaquim foi perdendo espaço para nomes mais contemporâneos mas, pelos vistos, continua a ser considerado como um nome adequado para bebés por bastantes pessoas, como comprovam os 71 registos alcançados em 2011 e os 70 registos em 2012, que o colocam na 69.ª posição do ranking o que, confesso, me surpreende um pouquinho! E digo isto porque Joaquim não me soa da mesma forma que António, Manuel e Luís, sendo, a meu ver, um pouco mais rude. Eu não vejo nisso um problema (aliás, faço leitura semelhante de Rodrigo e Martim) e acho que Joaquim pode muito bem ser o nome ideal para um miúdo cheio de estilo, capaz de encher de vida um nome que carrega um pouquinho de pó nos ombros. Isto, claro, se Quim não entrar na equação porque até eu, que amo diminutivos, detesto Quim, preferindo mil vezes Joca. 
Por curiosidade, consultei os Editais da Direcção-Geral de Pessoal e Recrutamento Militar, que inclui os cidadãos nascidos entre 1993 e 1994, e encontrei 167 jovens com Joaquim como primeiro nome e 157 que o têm como segundo nome; e foi nesta condição de segundo nome que encontrei Joaquim associado a nomes que hoje consideramos frequentemente como "betinhos" e que me agradaram: 

  • Afonso Joaquim
  • Bernando Joaquim
  • Frederico Joaquim
  • Gonçalo Joaquim
  • Lourenço Joaquim
  • Martinho Joaquim
  • Tomás Joaquim

Joaquim provém do hebraico Yehoiachim e o seu significado anda algures entre "criado por Deus", "Elevado por Deus" ou "Deus irá julgar". 

Duelo de nomes
- Artur vs Xavier -

1.5.12


Temos falado bastantes vezes de Artur e Xavier, o que é indicativo da atenção que começam a merecer também por parte dos futuros papás. Para já, ambos estão fora do top 50 e não chegam aos 150 registos, mas acredito que os dois têm boas hipóteses de um melhor desempenho na lista de 2012...
Xavier já foi Nome do Dia, e na altura, isto foi o que escrevi:

José

14.4.12


Lista completa de nomes compostos masculinos registados em Portugal, em 2013!


José é, provavelmente, o nome mais negligenciado por mim aqui no blog em parte porque, à semelhança do que me acontece com Maria, não me diz muito como único nome e quando chega a hora de sugerir nomes compostos, parece-me demasiado óbvio, já que combina bem com praticamente todos os nomes. Quando não o conseguirem assimilar bem como primeiro nome, experimentem como segundo. É quase infalível!