Antipatia face aos nomes modernos

20.7.15


Da última vez que abordamos por aqui os nomes que detestamos, a conversa estava centrada na questão da conotação social do nome e deu pano para mangas. Agora, porém, gostava de levar o debate para a onda de antipatia que parece rodear os nomes modernos. Comecemos por este excerto que acho genial: 

"Em certas populações ameríndias, as pessoas possuem um património antroponímico que protegem, transmitem, aumentam ou perdem; os nomes pes­soais condensam valor e são objecto de propriedade (cf. Lopes da Silva 1986). Da mesma forma, os juristas portugueses constituíram o curioso conceito de “património onomástico nacional” (Pimenta 1986) – como se os nomes próprios em português constituíssem um valor de tipo cultural, parecido com a arte ou a arquitectura pública. Este conceito está por trás da noção quase universalmente consensual de que é colectivamente errado permitir às pessoas que atribuam nomes novos aos seus filhos – um crime parecido com montar janelas de alumínio brilhante num edifício medieval." 



Sentem ou não este preconceito face aos nomes novos? Somos hoje mais retrógrados e menos tolerantes em relação aos nomes? Quem escolhe um nome que foge ao tal "património onomástico nacional" compromete, de alguma forma, o bem-estar da criança? Sentem que os pais que optam por um nome diferente são demasiado julgados? 


21 comentários :

  1. Depende do que se considera "novo". Começa a haver tendência para recuperar nomes que não se usam muito. Nessa perspectiva são novos, frescos, não são os mesmos de sempre como Rodrigo e Leonor.
    Mas há também a tendência para ir buscar nomes novos no sentido de serem modernos, nunca usados em Portugal. Estrangeiros, penso eu.
    Respondendo às perguntas:

    Não sinto preconceito face aos nomes novos por serem novos. Sinto preconceito quando são nomes que geram surpresa, sejam eles novos ou não. Mas se numa família a tradição for dar Maria às meninas, uma Matilde pode gerar surpresa, mesmo sendo popularíssimo. Não digo preconceito, mas que salta à vista, salta. Foge do padrão daquela família e isso basta.

    Acho que não dá para generalizar... Uns serão mais tolerantes, outros menos. Olhando para os rankings ao longo dos anos, vemos sempre os mesmos nomes. Por isso parece que só se aceitam muito bem esses nomes e os restantes são mal vistos, o que não é verdade. Muitos nomes ganham pela frescura e originalidade, e são muito bem recebidos por isso. Noto muita tolerância quando vejo comentários "Que giro, nunca tinha ouvido, é original!".

    Acho que o bem-estar da criança só é posto em causa quando lhe dão um nome estapafúrdio. Um nome que fuja ao "património onomástico nacional" mas que seja normal não compromete o bem-estar da criança. Se algo comprometer esse bem-estar serão as mentes fechadas da família ou de quem contactar com ela. Não é o nome que causa problemas, mas sim as pessoas que não sabem reagir como devem, sendo tolerantes e mais "open mind".

    Tal como já disse, depende do nome. Um nome diferente não deixa de ser apenas um nome. Pode ser Amadeu (normal) ou Djanilkson (estapafúrdio). Um nome diferente que seja normal será, geralmente, bem recebido e os pais até serão elogiados. Com Djanilkson isso já não vai ser assim tão bonito.



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  2. Eu acho que ainda não há muita tolerância face a nomes diferentes/modernos. Mas também depende do que moderno aqui significa. Se forem nomes com Ks, Ys, estrangeirimos, eu não gosto... mas há imensos nomes que ficam na casa dos 50 registos/ano que acho bonitos e aplaudo o serem invulgares. Os nomes em relação aos quais tenho antipatia são aqueles que são associados aos extremos: "classe baixa" (tipo Jéssica, Érica, Soraia, Tatiana, Cheila, etc) e "classe alta" (Carlota, Benedita, Constança, Carminho), só para dar exemplos femininos. Por outro lado, gosto de uma série de nomes comuns tipo Sofia, Diana, Margarida, Carolina, Teresa, Filipa, etc... mas não ADORO nenhum e acho-os demasiado vulgares (toda a gente conhece X pessoas com estes nomes e ouvimo-los a vida toda). Quando tiver filhos, já tenho alguns nomes pensados que, para mim, são os "nomes perfeitos": nomes portugueses, mas que existem noutras línguas também, pouco registados actualmente em Portugal, mas suficientemente comuns e ouvidos para não serem estranhados quando os anunciarmos e, o melhor, não há ninguém da nossa família/amigos com esses nomes, por isso, será um nome que eu associarei exclusivamente aos meus filhos :) não os refiro aqui, mas já foram abordados neste blog!

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  3. Sim, referia-me à posição face aos nomes de introdução muito recente em Portugal. Safira, por exemplo!

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  4. Nomes como Safira não me parecem alvo de preconceito, até porque muita gente os considera bonitos, femininos, hippies, elegantes, frescos, originais. Eu acho que Safira é isso tudo, mais romântico, exótico... :) Mas cada um vai ter a sua opinião. Pessoas mais... como dizer... "centradas" num só estilo de nomes (os mais usados, por exemplo, como Maria, Matilde, Leonor, Beatriz, Carolina...) vão achar qualquer outro nome "feio", "ridículo", seja Safira ou Kemilly. Essas pessoas são simplesmente "fechadas" e a meu ver não merecem muita atenção.
    Depois há muitos que, já fartos dos mesmos nomes, aplaudem escolhas originais como Safira (eu pertenço a esse grupo que me parece ser cada vez maior).
    A minha preferência costumam ser os nomes portugueses, mas gosto de alguns estrangeiros (Mei, por exemplo!). Safira não é tradicional como Leonor mas é um nome que todos conhecem. Acho que cada caso é um caso, e como as pessoas são todas muito diferentes é difícil prever a aceitação de um nome, até porque nisto dos nomes muita coisa muda facilmente. Se agora um famoso bem visto tiver uma Safira, ai não tenham dúvidas que Safira pode ficar mais usado, mesmo sendo um famoso estrangeiro. O nome entra no ouvido, passa a soar bem, e pronto.

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  5. A minha filha chama-se Violeta e ouvi de tudo!!! Disseram-me estás-te a armar em diferente, a tua filha vai ser gozada na escola, tantos nomes bonitos e vais dar esse? Se não estivesse tão decidida tinha-me ido a baixo!

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  6. Eu assumo que tenho "pouca" tolerância aos ditos nomes modernos mas isso talvez advenha do facto de sempre ter gostado de nomes tradicionais e por estes sempre terem feito parte da minha família. Não adoro nomes como Érica, Ariana, Bruno ou Cristiano mas considero que são perfeitamente usáveis e não me causam nenhuma estranheza. O que me causa alguma confusão são nomes como Noa, Kyara, Kévim e Isac e as suas demais variações surgirem "do nada" dado não serem nomes tradicionais, muito menos portugueses apesar das tais variações... não condeno quem os utiliza mas sempre quis saber de onde surgem estes nomes mais modernos, como a moda de Noa para menina por exemplo, começou a ouvir-se este nome de um momento para o outro mas ninguém sabe de onde surgiu. O que é certo é que se ouve cada vez mais...

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  7. Sim , há imenso preconceito. Não é preciso terem Ks e Ys. Enzo, Noa, Safira, Isis, já sofrem de preconceito.
    Tudo o que não seja tradicional, antigo, clássico, ainda é mal aceite.
    Há muito a ideia de que temos que escolher nomes do tempo dos afonsinhos e só esses é que são bonitos. As crianças podem nascer em 1900 ou em 2050 e têm de ter sempre os mesmos nomes.
    Sou totalmente a favor da introdução e uso de nomes novos, precisamos é de lufadas de ar fresco e não de continuar sempre a usar os mesmos nomes. Gosto de todo o tipo de nomes, mas não concordo com aquela ideia de que somos portugueses e temos que ser todos Marias e Maneis e não fugir muito disso. Que se lixe o património onomástico. Daqui a 100 anos o património onomástico vão ser as Laras e os Santiagos. Daqui a 200 anos vão ser as Noas e as Safiras.

    Comprometer o bem estar da criança apenas por ter um nome moderno? Lógico que não.

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  8. E o que importa de onde surgem os nomes? Só porque não surgiram de um rei que já está morto enterrado e mumificado são menos nomes que os outros? Noa é um nome que surgiu da bíblia, tão simples, tão normal, qual é o problema com Noa?
    Tal como Isaac, porque Isaac também é um nome bíblico e português.
    Só porque não são tradicionais. Bah, essa treta dos nomes tradicionais, não está escrito em lado nenhum que só é válido usar nomes tradicionais. Até porque tradições, só as segue quem quiser.

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    1. Concordo totalmente, tenho uma bebé com sete meses chamada Noa, não existe meio termo, ou as pessoas adoram ou detestam

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  9. Só posso falar por mim, obviamente, mas não acho que os nomes modernos sejam alvo de tanto preconceito assim. Nos anos 60/70/80, os nomes modernos eram Sandra, Cristina, Nádia -- no princípio causaram estranheza num país de Marias, mas hoje ninguém os consideraria exóticos. Não acho que, hoje em dia, as crianças chamadas Flor, Diego, Noa, Safira, Íris, Leonardo, etc, ou os seus pais, sofram mais preconceito que as Tânias ou Carlas dos anos 60. Também acho natural que os nomes se vão internacionalizando, uma vez que vivemos cada vez mais numa sociedade global. O que não acho bonito nem razoável é adaptar nomes internacionais à grafia portuguesa para serem aceites cá. Que sentido faz proibir Kevin e aceitar Quévin e Kévim? Em relação a este tipo de nomes sim, admito o preconceito e acho que os pais são de certa forma julgados. (Vamos ser sinceros... ninguém merece chamar-se Kévim.)

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  10. Infelizmente, a maior parte das pessoas torce o nariz face a nomes modernos... principalmente quanto mais velha a pessoa é, os mais jovens são mais corajosos e romanticos na escolha dos nomes, ora porque acham o nome bonito e especial, ora porque é o nome de uma personagem literária ou de serie preferida, enquanto os mais velhos são mais conservadores, têm maior medo do julgamento, e optam por nomes, normais, clássicos, que nao tragam muito alarido... Lembro -me de uma leitora que deixou um comentario aqui no blog que gostava do nome Elena sem o H, e os familiares nao aceitavam muito bem , motivo do qual ela estava quase a desistir do nome... é dificil em Portugal alguem se destacar, fugir da normalidade, porque caiem-lhe todos em cima. Acho que se está na lista de nomes permitidos, é pq é um nome usável.

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  11. Há má vontade com imensos nomes e só varia em função do meio.

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  12. Sou brasileira e vejo como que, coincidentemente, grandes populares em Portugal são estranhíssimos aqui no Brasil!

    Na lista de nomes dos meus filhos figuravam Vicente, Martim, Xavier, Gonçalo, Matilde, Eleonor (gosto mais que Leonor), Celeste e Constança.
    Pra todo mundo que eu falava da lista, não havia um sequer que não estranhasse ou torcesse o nariz. Exceto por Vicente e Martim, que passaram a ser mais populares no Brasil nos últimos anos, todos os outros são muito esquisitos para os brasileiros.

    Tanto que, quando escolhi Constança para a minha filha, não teve uma pessoa que não expressasse espanto quanto ao nome. Ouvi (ainda ouço) desde "Que nome fino! Chique! Adorei!" até "que crueldade colocar um nome tão velho numa criança" ou "porque você não comprou um cachorro e deu esse nome nome nele, ao invés de colocar na sua filha?"
    Como não conheço outra Constança, esse pra mim é o nome de uma doce e moleca menininha, que odeia pentear os cabelos e gosta de fazer tudo sozinha :)

    Aqui no Brasil esses nomes têm um peso completamente diferente e posso ter certeza de que, se escolhesse qualquer um deles (exceto Martim e Vicente, atualmente), meus filhos nunca teriam problema de encontrar outra criança no parquinho ou na escola com o mesmo nome.

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  13. Luíza, gosta de nomes mais "aportuguesados" por algum motivo em especial? :)

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  14. Concordo com a Luíza em gênero, número e grau. Também sou brasileira e sempre venho aqui a procura de inspiração para os meus futuros filhos.
    Aqui no Brasil, por existir a liberdade de escolha de nomes, acabamos por ver algumas aberrações.

    Os nomes "aportuguesados" têm, para mim, uma sensação de familiaridade e ainda assim, são diferentes dos que costumamos ver por aqui. Gosto da ideia de meus filhos terem nomes únicos.

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  17. As pessoas em Portugal são retrógradas demais! Por algum motivo estranho se apegam a nomes extremamente antigos, nomes de bisavós (avós seria atual demais). Sério, abram mais a cabeça para o novo, por que não? Não estou falando de nomes esdrúxulos, como Kayky e outros cheios de K, Y, W. Sei que existe uma lista absurda que impede as pessoas de darem o nome que quiserem aos filhos, mas já existem opções mais frescas, como Oliver e Kevin. Não sou fã de nenhum dos dois, mas já é um começo. Abram a cabeça, estamos no século XXI. Até na Bíblia que é o livro mais antigo do mundo existem nomes mais bonitos que essas antiguidades que vocês amam tanto. Desculpa, é apenas um desabafo, sou descendente de portugueses e tenho vergonha desse gosto tão antiquado que impera em Portugal.

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  18. Isabela, não querendo demovê-la da sua perspectiva, talvez valha a pena olhar bem para o ranking oficial português, porque acho que não encontrará assim tantos motivos de vergonha.

    - Sim, a tendência atual mais popular remete para nomes aristocráticos mas, como esses nomes não eram ouvidos em Portugal há várias décadas, soam à população como nomes frescos e muito contemporâneos, ainda que históricos.
    Entendo que não goste destes nomes, mas é perigoso comparar duas realidades tão distantes quanto a portuguesa e brasileira. A título de exemplo, Artur, Nicolas, Otávio, Júlio, Manuela, Emanuela, Ester, Ágata, Fernanda, entre outros, todos populares no Brasil hoje, são considerados antiquados cá! Avaliar o país pelos nomes que usa implica um conhecimento um pouco mais profundo...
    - Ainda no ranking português, encontrará outro lote grande de nomes internacionais que se usam não só em Portugal como no Brasil e noutros países ocidentais!

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  19. Antes uma lista de nomes permitidos do que vermos por aí nomes como Uelington e sabe-se lá mais o quê. Só porque os portugueses gostam de nomes que não irão envergonhar os filhos no futuro, isso não faz dos portugueses, uns retrógrados.

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Com tantos nomes à escolha, vai mesmo ser apenas Anónimo? :)