A Querida Júlia e os Nomes

8.5.12

Hoje de manhã, a apresentadora de televisão Júlia Pinheiro conversou um bocadinho com a Conservadora do Registo Civil de Lisboa, Ana Leandro, a propósito dos nomes próprios usados em Portugal. 
Foram abordadas principalmente "questões geracionais" que fazem com que haja uma mudança nos nomes registados. A Conservadora apontou dois momentos-chave: há cinquenta anos, usavam-se nomes cristãos, bíblicos, que retratavam o enraizamento das práticas cristãs na sociedade, e muitos desses nomes eram escolhidos pelas madrinhas. Há trinta anos, surgiram em Portugal as novelas brasileiras, que despertaram os portugueses para os nomes que hoje em dia chamamos de "nomes dos anos 80". 
Mais à frente na conversa, a Conservadora referiu que hoje em dia os pais procuram nomes clássicos, distintos, "para ultrapassar a fase em que todos eram aceites", nomes que por si só têm muito peso, em  parte pela sua influência histórica. 

A Conservadora aproveitou também para pôr os pontos nos is: antigamente, Maria era muito usado como nome composto e Maria, só, era "nome de criada" que "retratava uma classe social". Hoje em dia, continua ela, afastamo-nos desse cenário porque as criadas são ucranianas e brasileiras e portanto Maria passou a ser visto como nome bonito e distinto. 

Ficamos ainda a saber que a Júlia Pinheiro não gosta nada do seu nome. Gostaria de saber se ela também não gosta de Eduarda que, segundo parece, é o seu segundo nome. Júlia, se está a ler, tem um nome muito bonito, deixe-se de coisas! A apresentadora referiu ainda que, no caso dela, optou por utilizar Maria nos três filhos: Rui Maria, Carolina Maria e Matilde Maria, confessando que "os nomes compostos têm uma carga de autoridade terrível". Grande Júlia. 

Durante o programa, foram ainda apresentadas duas famílias com nomes "geracionais": no primeiro caso, a avó Maria Odete, que não gosta do seu nome, a filha Ana Leonor, e as netas Madalena, Maria e Mafalda. No segundo, a avó Maria Luísa, a filha Susana Isabel (os irmãos chama-se Nuno Pedro e Luís Filipe) e o neto Tomás. Dois ótimos exemplos que retratam na perfeição a evolução dos nomes. 

Para terminar, refira-se que a Conservadora explicou que qualquer pessoa pode mudar de nome, desde que o pedido seja bem fundamentado. Basta dirigir-se à Secção Onomástica do Registo Civil, pagar 200 euros, e explicar que a pessoa "não se identifica com o nome escolhido quando não tinha voto na matéria", argumentado, caso seja  se for o caso, que o nome lhe causa embaraço e é bem provável que o pedido seja deferido. 

Alguém viu? 


7 comentários :

  1. Pena a Conservadora não nos ter dito que a tendência está a mudar... Ainda no outro dia fiquei a saber que a vizinha dos meus sogros vai ter uma Matilde.

    Realmente é uma pena a Júlia Pinheiro não gostar do seu nome. Acho Júlia tão lindo :D

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  2. Hmm.. Não acho muita piada é aos 3 filhos da Júlia terem Maria no nome.. Não consigo achar muita piada a Maria num rapaz.
    Mas depois de escrever estava aqui a pensar "Que mania de darem nomes iguais a irmãos..". E caí em mim. Eu e o meu irmão temos o mesmo nome ahahah! Mas eu sou Alexandra e ele tem Alexandre como segundo nome.

    Quanto a Júlia, durante muitos anos não gostei. Agora conheço uma miúda muito castiça chamada Júlia e já engraço com o nome. É prima da Laura e irmã da.. será Filipa..? Agora deu-me uma branca..

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  3. Sempre adorei o nome Júlia! O que nesta fase me deixa irritada porque há uns anos ofereceram-me 2 gatinhos que são hoje 2 gatarrões, o Romeu e a Julieta... Espero o terceiro filho e tanto Júlia como Julieta são nomes que já contemplei, mas são logos afastados por causa dos meus "filhos" mais velhos... oh miséria! XD

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  4. Júlia Eduarda é horrivel, ela tem razão.
    Separados são bons nomes mas juntos fazem uma combinação "nada a ver".

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  5. Acho fantástica esta tendência para os nomes clássicos, porque me agradam e me parece que nunca destoam. Só tenho uma certa pena de serem sempre os mesmos nomes clássicos ou que, descoberto um nome, seja usado até à exaustão (Matilde e Martim são dois exemplos perfeitos). Lemos aqui no blogue, todos os dias, além de nomes originais, muitos clássicos que são completamente relegados. Penso que o que se passa é que as novelas continuam a ter um enorme peso nas escolhas, mas agora são as novelas portuguesas (daí os tais nomes clássicos). Já agora, amo o nome Ana Leonor, tem «pinta».

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  6. Bom dia, gostava de saber se em qualquer parte na internet ha o programa gravado porque o tema interessa-me! e mesmo muito importante. Obrigado

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  7. Infelizmente não a posso ajudar a esse respeito, tudo o que posso dizer é que o programa foi emitido a 8 de Maio de 2012! Talvez possa tentar entrar em contacto com a produtora Endemol...

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Com tantos nomes à escolha, vai mesmo ser apenas Anónimo? :)