Os nomes e a humilhação - será uma obsessão?

14.12.12


Gostei muito desta semana aqui no blog, porque tivemos oportunidade de explorar um pouco mais as nossas opiniões e o nosso gosto pessoal. Para terminar com chave de ouro, tinha decidido que ia abordar a "humilhação onomástica" e, mesmo a calhar, o Nameberry partilhou a ligação de um texto (em inglês) muito interessante e que vale a pena ler. Entre outras coisas, diz-se que "as pessoas querem acreditar que todas as pessoas - menos elas e as pessoas que elas conhecem - são malucas e escolhem nomes terríveis" e que alguma crítica inclui "gafes culturais", esquecendo que um nome totalmente estranho os nossos ouvidos pode ser absolutamente normal noutra cultura. E que "seria bom pensar que as pessoas ficarão mais tolerantes com o passar do tempo mas o julgamento dos nomes de bebés veio para fcar". 
Na vossa opinião, a humilhação por causa do nome próprio tem aumentado ou diminuído? Faz sentido pensar que os pais são o principal veículo de preconceito, já que as crianças estão muito mais abertas à diferença? E valerá a pena deixar de lado um nome que nos agrada muito apenas porque permite rimas infantis com palavras que não nos agradam? Será assim tão ofensivo uma criança gritar para a outra "A Ana come banana"? Têm conhecimento de casos graves em que um nome foi factor de exclusão? Não estaremos a ser demasiado protectores e conservadores, quando os nossos pais se libertaram dos fantasmas e escolheram para a nossa geração nomes vibrantes, efusivos e divertidos? Agora que penso nisso, acabei de decidir que não quero dar aos meus filhos um nome cinzento... 
Ainda a propósito do post de quarta-feira, em que abordamos os nomes nas diferentes classes sociais, transcrevo este trecho do mesmo texto:
People in lower socioeconomic classes tend to be more flexible in their naming conventions, choosing newer names and more creative spellings (…). While nearly everyone wants a unique name for their child, college-educated people tend to go hunting in the history books for their inspiration, looking to revive old, obscure names. People with less education and income are more willing to go for new inventions. "If you're poor, stuff that is old is almost always stuff which is dirty, broken-down and should be thrown out soon,". "If you're upper class, something which is old can be antique — it stood the test of time — because the past has been good to you and your family."

14 comentários :

  1. Sinceramente acho que nunca conheci ninguém que fosse gozado a sério pelo nome... E quando era pequena tive colegas com todos os nomes... Acho que os adultos estranham mais os nomes que as crianças e acho que por vezes os adultos é que humilham mais a criança. Mas bem, acho que quem cresceu com um nome pouco comum quando nasceu é que pode falar disso... eu chamo-me Sónia na altura não era motivo de gozo...

    Mas conheci com a minha idade um Felisberto, um Amadeu, etc... Até conheci um Austrelino, ok com esse gozavamos um bocadinho, diziamos que ele andava sempre nos astros... Mas é um nome mesmo muito mau :S

    Mas concordo que num meio mais pobre ou se quisermos num meio mais diversificado nos habituamos mais a todos os nomes... Por exemplo ontem alguém dizia que Maria do Rosário era um nome de classe alta e Jaqueline, um nome de pobre... Quando andei nos escuteiros, a Rosário era para mim tão normal como a Jaqueline (a Jaqueline que tem uma irmã Olívia e uma irmã Palmira (isto sim diversidade de escolha :P))

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  2. Eu acho que em geral hoje é-se mais aberto a nomes diferentes. E muito se deve a vagas de imigração nas últimas décadas, que nos habituaram a nomes com outras sonoridades. E é mesmo assim: para as crianças pequenas é tão normal a Maria como um nome africano ou eslavo...

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  3. Eu concordo com a Brites. Eu fui alvo de brincadeiras na escola até bem tarde devido ao meu apelido, quando era pequena ficava triste mas nem por isso fiquei traumatizada! :) Acho também que o preconceito e mais dos pais do que dos coleguinhas na escola...

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  4. Tenho comentado pouco, por falta de tempo, mas vou lendo os vossos comentários e os posts com enorme gozo.

    Penso que as crianças, quando querem implicar, conseguem gozar com tudo, mas que isso faz parte da vida (gozar e ser gozado), desde que não ultrapasse determinados limites.

    No colégio faziam o meu nome rimar com banana, bacana e cigana, mas o que me chateava mais era rimarem o meu apelido com Da borda.
    Tudo isso me incomodava, mas também logo me esquecia, pois a vida é mesmo assim e se, uma hora eu era a banana, na outra um colega era o comilão ou o anão (as rimas nunca eram muito inventivas).
    Posso dizer que a minha filha é conhecida como carochinha (e tem a ver com o apelido), sendo que passou de uma alcunha que era utilizada para a atazanar para gostar especialmente do seu petit nom no colégio, tornando assim uma «desvantagem» em algo que a diferencia e a torna mais popular. O segredo? Enfrentou a alcunha com um sorriso e boa disposição.

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  5. Eu sofri um bocado com meu nome, mas não por conta das rimas bobas com banana e afins, mas porque me chamavam, até que carinhosamente, de Fafá, nome de uma cantora que eu detestevaaaaaaaaaa! Era um motivo ridículo e foi logo superado quando começaram a me chamar de Bia, como meu irmão mais novo fazia (ele me salvou!). O que mais me incomodava era quando trocavam meu sobrenome, Saboya, por Só bóia (no Brasil quer dizer que você é lerdo, meio tapado...) ou por Jibóia. Mas não acho que sofri bullying! Era coisa de criança e logo eu aprendi a transformar a desvantagem em algo que me diferencia, como disse a J., porque até hoje eu fui a única Saboya naquela escola e todos se lembram de mim!!!!

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  6. Acho que um menino Asdrúbal ou uma menina Amorzinda seriam alvo de brincadeiras frequentes, mas não consigo aceitar que se coloque nomes como Salomé, Letícia ou Eurico nessa categoria...

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  7. É assim...Há nomes realmente estranhos e raramente ouvidos que talvez sejam um pouco mortificantes por serem nomes que associaríamos a pessoas muito mais velhas ou que tem uma pronunciação diferente e difícil. Se dizem que Frederico é complicado de pronunciar e é verdade (pelo menos para uma criança)ao menos podem usar Fred. Tentem pedir a um menino de pequeno para dizer para dizer Asdrúbal...O resultado é capaz de ser engraçado.

    O meu avô chama-se Arménio Alceu, e a minha prima de 2 anos (que é bisneta dele) não consegue dizer o nome dele. Chama-lhe avô Mã (que é como ela diz Romã porque o meu avô costuma levar-lhe muitas agora que é época delas). Por isso por muito que adore o meu avô não pensaria a dar um nome a um filho meu e era capaz de estranhar se visse uma criança nascida em 2013 com um nome assim. Percebo que há certos nomes que estão em desuso...e outros que estão a voltar. Por exemplo conheço um senhor mais ou menos da idade do meu avô chamado Abel. E não estranharia tanto um pequenino Abel quanto um pequenino Alceu.
    E tenho um amigo Osvaldo Filipe que só usa o segundo nome porque detesta o primeiro. Por isso nos casos de nomes menos comuns por vezes e boa ideia ter um segundo nome mais inócuo, desde que a combinação dos dois seja harmoniosa para dar à criança a hipótese de escolher por qual dos dois prefere ser tratada.
    Mas claro que a verdade é que qualquer que seja o nome da criança se quiserem gozar com ele as outras crianças arranjam sempre maneira. A Ana e todos os nomes terminados em Ana (Joana, Mariana e por aí) vão ser banana, a Maria vai ser a pia e vão arranjar maneira de gozar com todas as Matildes, Leonores, Beatrizes, etc...Que agora nascem.
    Por isso, acho que o melhor é os pais escolherem um nome que gostam, tendo algum cuidado para evitar rimar com o apelido o que leva sempre a trocadilhos e dar um nome que não mortifique a criança...Mas pondo primeiro o seu gosto pessoal e preocuparem-se com as opiniões dos outros depois.

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  8. A questão da humilhação depende em muito da sensibilidade e auto-estima de cada um. Uma brincadeira comum como Ana Banana pode divertir ou levar às lágrimas. No meu caso, Dora era Doritos e algumas pessoas ainda se lembram disso!
    Penso que tenderá a diminuir o preconceito associado aos nomes próprios diferentes. Conheço uma menina Galina e os colegas nunca gozaram com ela com o evidente "galinha", talve o tenham feito ao início e não pegou...
    Sou a favor da diversidade e acho mesmo que um nome deve ter em si muita energia, autoconfiança e alegria. O resto é uma questão de gosto. O meu gosto ainda é bastante conservador, mas vai melhorando!

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  9. Qual é o mal de ...?
    Rita Catita
    Carlota Cambalhota
    Odete Filete
    Joana Banana

    Ou mesmo das cantilenas:
    - A Joana Banana faz chichi na cama toda a semana.
    - A Madalena fez uma cena e viu uma pena.
    - A saia da Sara está a sarar.
    - O cão do Sebastião parece o papão.
    - A menina Catarina vai levar uma vacina.
    - O pé do José/Zé cheira a cholé.
    - A Rita catita come batata frita, porque ela é bonita.

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  10. Tenho visitado bastante seu blog ultimamente. Minha baby nascerá daqui a 3 meses e já havia decidido juntamente com o pai o seu nome: Malu.
    Sou brasileira e o pai é português. Vivo em Portugal há uns anitos.
    Ocorre que já ouvimos de muita gente que este nome será motivo de gozação para a nossa menina na escola. Sinceramente, não vejo o porquê. Adoramos sua sonoridade e, além disso, trata-se de um nome curto, como eu gosto. Disseram-me também que este nome a distinguiria imediatamente como brasileira. E protestei imediatamente dizendo que seria ótimo então, pois mesmo nascendo aqui, terá a nacionalidade brasileira também, com muito orgulho.
    Antigamente tratava-se apenas de um diminutivo, mas agora já passou a ser utilizado como nome, pelo menos no Brasil.
    Minhas visitas aqui no seu blog têm sido no sentido de encontrar algum nome que eu caia imediatamente de amores por ele. Já vi alguns que me amarrei, mas não houve um que me apaixonasse. Além disso, o papá já chama a baby de Malu a toda hora. Não sei o que hei de fazer!
    Se não for pedir muito, diga-me sinceramente o que pensa a respeito do possível fator humilhação relativamente a este nome.
    Não estou certa de que tenho o direito de pôr um nome que eu e o pai gostamos, mas que poderá vir a ser motivo de transtorno para nossa filhota.
    Grata!

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  11. Caríssima, eu acho mesmo que alguns portugueses estão obcecados com ideia de que nomes perfeitamente comuns serão alvo de humilhação. Se não estão no top já são maus, e eu discordo totalmente dessa ideia. Contudo, como em Portugal Malu não é, sequer, um diminutivo comum, é provável que surjam brincadeiras com a palavra "Maluca".
    Muito honestamente, acho que este é um daqueles casos que merecem muita reflexão por parte dos pais. Se estivesse na sua posição, não abdicaria de tratar a minha filha por Malu, mas optaria por usar no Cartão do Cidadão um nome mais "oficial".

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  12. Muito obrigada pela resposta!
    Já estamos em busca de outro nome e seu blog tem servido como fonte.
    Agradeço a sugestão, mas como não curto nomes compostos (Maria Luísa ou Maria de Lourdes), terei mesmo que abandonar a ideia.
    Beijinhos e ótima semana!

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  13. Sei que não é comum e que a associação não é imediata, mas Malu não poderia ser o diminutivo de Madalena? Pessoalmente, detesto o "Mádá", e Malu é um nome fofinho...

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  14. E de Manuela, numa derivação de Manu para Malu?

    Se gostar de Maria (sem ser Luísa ou Lurdes), pode sempre juntar outros nomes como Lucena, Luana, Luna...

    Ou só um nome começado por Lu, seria Ma(minha)Lu, a minha Lu... já devo estar a inventar demais :$

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Com tantos nomes à escolha, vai mesmo ser apenas Anónimo? :)