O mapa dos nomes

8.5.12


Pergunta a J.:
"Há nomes que são snob numa região do país e normalíssimos noutra? O que é mais aceitável no Norte também o é no Sul? Seremos um país uniforme em termos de nomes?"
Eu nasci em Viana do Castelo onde Salvador, um nome que muitos consideram "benzoca", é muito associado à comunidade piscatória. Como se sabe, os barcos de pescadores são normalmente batizados com nomes que associados às divindades, como que pedindo protecção. Talvez Salvador se enquadre nessa crença... 
Em relação aos nomes normalíssimos, ocorre-me Maria da Agonia, muito popular entre as pessoas da idade da minha mãe. Já toda a gente ouviu falar da Romaria da Senhora da Agonia, certo? Quando vivia em Braga (e, pensando bem, em Viana também conheço muitas, talvez por proximidade geográfica) também conhecia muitas Maria do Sameiro

Já agora, aproveito para fazer um bocadinho de publicidade ao Minho: se nunca visitaram, não sabem o que perdem! E se nunca estiveram em Viana durante as festas da Agonia, não conhecem verdadeiramente a riqueza da cultura popular. 

13 comentários :

  1. Eu já conhecia Viana, mas o meu estágio de campo na faculdade foi Minho-Galiza e ficamos a dormir em Viana. Adorei, por isso também recomendo vivamente.

    Como já disse para mim noutro post para mim Olinda é um nome ali do Pinhal Interior, das vilas de interior no distrito de Coimbra.

    Não há mais nenhum nome que me lembre sempre uma região. Mas retomando o exemplo de Salvador não sei se é por coincidência ou não. Mas o único Salvador que conheço tem uns 60 anos e embora fosse aqui da Caparica, os pais dele eram de Viana, e o pai dele andou na pesca do bacalhau...

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  2. Confirmo! Sou da Póvoa de Varzim, muito pertinho de Viana e constato que existem muitos Salvador, essencialmente como 2.º nome.

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  3. Como sou de Lisboa, é mais difícil aperceber-me dos regionalismos, já que se absorve um pouco de tudo. Nasci em Lisboa e a minha família é parte alfacinha e parte da Beira (da Covilhã). Noto algumas peculiaridades: esta história dos «Marias» como segundo nome nos rapazes já vem de longe (recordo o meu avô) e, na minha geração, são mais do que muitos (entre familiares e amigos), quase tantos quantos os que têm como segundo nome o popular «Miguel». Muitos dos nomes que estão agora na berra (como Matilde, Martim e Rodrigo) já existiam na minha geração se bem que não fossem predominantes, como os Franciscos, os Vascos (seria o meu nome se fosse rapaz) ou as Joanas (claro) e Marianas. Além disso, já imperavam as Marias e sempre conheci Madalenas (de todas as idades). Nomes como Salvador ou Caetana associo a amigos que têm raízes no Ribatejo ou espanholas. Na minha família reinavam as Luísas, as Margaridas e as Teresas (posso dizer que os meus avós torceram o nariz a Joana por acharem que era nome da moda), os Alexandres, os Franciscos, Henriques e os Vascos (não somos gente muito original e os nomes repetem-se entre pais, avós, tios e sobrinhos). O que acho muito característico de Lisboa são os petit noms: há Milis, Milus, Mimis, Madas, Titas, Quicas, Nicas e afins por todo o lado (a minha mãe é especialmente boa a baptizar as crianças da família e tem sempre petit noms que só ela chama). Isso acho que se sente mais em Lisboa do que no resto do país (pelo menos, quando, na faculdade, conheci mais gente de outros pontos de Portugal, notei que usavam menos diminutivos). PS. A minha avó tem mais do que uma amiga chamada Ema, nome muito popular na zona da Covilhã e naquela geração. Só conheci uma Sameiro na vida e era do Norte :D.

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  4. Eu fui morar para Leiria pouco tempo antes da minha primeira filha nascer. Quando dizia que a menina se chamaria Constança, todas as pessoas diziam que o nome era demasiado pesado para bebé, que é nome de betinho, que devíamos escolher um nome normal e por fim que é nome de velha...
    Mas a menina ficou Constança mesmo assim! Agora que esperamos a nosso segundo filho e ainda não sabemos o sexo, estamos com o mesmo "problema" pois todas as pessoas detestam os nomes que preferimos
    Menina: Francisca, Carminho, Benedita e Laura (Mais o pai).
    Menino: Henrique e Bernardo.
    Continuam os mesmos comentários o que nos deixa bastante triste pois gostamos de nomes mais tradicionais...
    Bjs
    Vânia

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  5. Vânia, para mim, Constança é um nome lindíssimo: tenho uma querida amiga com esse nome (é a Tana)e a bebé de outra amiga também tem esse nome. A minha opinião vale o que vale, mas gosto de todos os nomes que propõe, talvez Bernardo seja o que gosto menos, mas não deixa de ser um excelente nome. PS. Laura é nome de boneca (Laurinha é lindo).

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  6. E nomes de "família"? Continuará a haver muitos? Na minha família lado paterno quase todos os homens são João (nomes compostos) e o meu filho mais novo é João também (nome único). Sempre gostei do nome e assim não de facto associado a ninguém em particular, já q tantos o têm...

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  7. Sou natural do Minho e confirmo as Marias da Agonia e as Marias do Sameiro. Ah e confirmo outra coisa, o Minho é lindo e as pessoas ainda mais!! :)
    Quanto aos nomes regionais ou locais, acho que acontece menos, porque hoje nada fica contido numa só cidade. Pode é nascer a moda num determinado local, mas depois espalha-se relativamente rápido.

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  8. Por aqui pelo Norte, nas cidades, os nomes betinhos não são muito bem vistos, não da mesma forma que lá por Lisboa.
    Tenho um primo em Lisboa que tem um Benedita e os avós e os tios de cá nunca gostaram do nome nem para eles é um nome betinho ou snob, é simplesmente feio e esquisito e ultrapassado.
    Também se formos a uma qualquer aldeia , nomes como Leonor, Matilde, Vicente, Rosa, Maria do Carmo, não são nomes snob, porque por lá há imensas senhoras e senhores humildes com estes nomes.
    E acho que cá pelo Norte optam mais pelos nomes modernos.

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  9. E o que é um nome moderno, anónimo? Just curious...

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  10. Nomes modernos...

    http://nomesportugueses.blogspot.pt/2010/12/nomes-modernos-femininos.html

    Já agora, nomes betinhos...

    http://nomesportugueses.blogspot.pt/2010/09/os-betinhos.html

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  11. Só posso dar a minha opinião sobre o sul do país. Parece-me que predominantemente os nomes da moda chegam cá, mas nas zonas interiores é menos evidente. Se noutras zonas do país "Manel" é nome de betinho, aqui é um nome normal, assim como Vasco ou Gonçalo, tão comuns como Luís ou Ricardo. Por aqui o santo padroeiro é S. Gonçalo, talvez por isso haja tantos! Também temos a Senhora da Piedade, pelo que conheço senhoras da idade das avós ou mães ou esse nome.

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  12. Anónimo: obrigada pelos links, pois confesso que nunca tinha visto esses posts da Filipa (não andava por aqui na altura). :D Realmente, há nomes que não considero modernos, pois conheço uma série de Emas na casa dos 80, mas apenas uma pequenina. Já Mafalda é um nome muito antigo, também conheço algumas de todas as idades. Portanto, até os considero pouco modernos - há outros na lista que, indubitavelmente, cheiram a novidade. Quanto à lista dos betinhos, trata-se de um texto humorístico, não de um manual de nomeação filial de acordo com a classe social. São, para mim, nomes normalíssimos, filtrados pelo fino crivo do humor da Ana Bola, e conheço pessoas de todos os estratos sociais com os mesmos. Ao fazer a pergunta que deu o mote a este post, a minha curiosidade prendia-se mais com os regionalismos (como as Sameiros e as Agonias para o Minho ou como os Gonçalos para o Sul, referidos pela Dora). Em Lisboa há de tudo, porque a maior parte dos «lisboetas» não o são de facto (como eu, meio lisboeta, meio beirã) e, por isso, estava curiosa em saber como seria no resto do país. Isso de ser/querer ser betinho é uma discussão mais pertinente ao estado da nossa sociedade - os nomes dados aos filhos sempre foram e sempre serão uma forma de afirmação social, uma forma de as pessoas afirmarem que se situam em determinado quadrante da sociedade. Penso que a escolha recente por nomes clássicos tem a ver com isso mesmo, com a inegável melhoria da qualidade de vida que o nosso país sofreu nos últimos 30 anos. Já agora, só para terminar, ilustro com um caso que conheço bem: tenho uma amiga que dá aulas à primária num bairro extremamente problemático de Lisboa. Os miúdos têm, quase todos, imensas carências, e os seus pais levam vidas francamente difíceis. Há uns tempos comentava ela (também dá aulas num colégio «bem») que os miúdos do «bairro» tinham nomes muito mais diversificados, alguns até que nunca tinha ouvido. Fiquei espantada: então não há Matildes e Rodrigos? Isso costuma ser indício de que as pessoas querem «algo melhor» para os miúdos. A resposta da minha amiga deixou-me meio gelada: «J., isso é tão distante da realidade dos meus alunos, os pais nem sequer «sonham» que poderá haver outra coisa para os filhos.» Portanto, por mais que me queixe da falta de diversidade (porque gosto de nomes, só isso), só me posso alegrar por haver muitas Matildes e Rodrigos neste país - os pais desses meninos sonham para eles um bom futuro, um futuro melhor, e o sonho comanda a vida!

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  13. Não sei até que ponto será um regionalismo mas em Viana também conheço várias Carmindas!

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Com tantos nomes à escolha, vai mesmo ser apenas Anónimo? :)