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Mário

em 09/01/17


A propósito do falecimento de Mário Soares, figura incontornável da sociedade portuguesa, volto a publicar este texto, originalmente escrito a 8 de Março de 2013: 

Apesar da minha paixão por nomes compridos e fortes, também aprecio muito os nomes discretos. Já tenho falado aqui de alguns e hoje chegou o dia de Mário,  que deriva do latim "marius" e significa "relativo ao deus Marte". Antes mesmo de começar a escrever, tentei pensar na quantidade de Mários que conheço pessoalmente e concluí que não são muitos. Brinquei, em pequenita, com o meu vizinho Márinho mas, depois disso, tive de esperar quase quinze anos para conhecer outro. Contudo, depois, pensando nos Mários espalhados pelo país, percebi que é um nome muito marcante na nossa sociedade e que, a meu ver, tem tudo para nos encantar, outra vez. E digo "outra vez" porque, por curiosidade, espreitei os dados informais do SPIE, que indicam que, até 1979, Mário se manteve bem acima dos 500 registos, sendo o seu melhor resultado no ano de 1962, com 1463 registos. Em 1990, Mário ainda estava no top 30, em 2000 no top 50 mas, entretanto, em 2016, ficou-se pela 68.º posição do ranking, com 69 registos.
De certa forma, acho que são números bastante positivos, já que os nomes mais procurados para meninos são tão diferentes deste simples e recatado Mário. Além do mais, penso que é o tipo de nome que não ficou saturado e, retomando a ideia de que está na altura de o olharmos com mais carinho lembro, que a partir de 1970, Mário foi, de certa forma, substituído por Marco, o que fez com que não ficasse conotado como "nome dos anos 80". Para mim, Mário partilha do estilo de Artur, Raúl, Tomé, José ou César. Não dão nas vistas, mas não deixam de ser agradáveis ao ouvido! Acham usável ou não?

Guterre

em 07/10/16


Ontem foi um grande dia para António Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal, agora aclamado como futuro secretário-geral da ONU. O nome andou nas bocas do mundo e, num zapping pelos canais noticiosos internacionais, percebi que toda a gente conseguia pronunciar Guterres com bastante eficácia. Aproveitando o momento, recordo o post que escrevi no dia 20 de Maio de 2013, a propósito de Guterre:

O apelido Guterres é um patronímico de Guterre, um nome próprio praticamente desconhecido nos dias que correm mas que, segundo José Pedro Machado, no seu Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, era "nome outrora com muito uso", sendo fácil de encontrar na Península Ibérica, naquele período em que também se usava Mendo, Ximena, Sancho e Iria. É possível que Guterre esteja relacionado com Guntero que, por sua vez, deriva de Gunther, situando-se assim o seu significado em torno de "guerreiro". Certo, certo, é que Guterre deu origem ao apelido Guterres e ao correspondente espanhol Gutiérrez. Não sei se se lembrarão mas, há uns anos, jogava no Real Madrid um jogador com este apelido e que era conhecido como Guti. Fofo!
Guterre seria - até para mim - uma escolha muitíssimo surpreendente para um bebé nascido em 2013 - e atualizando o post, em 2016 também! Neste caso, nem me atrevo a sugeri-lo como segundo nome porque provavelmente seria encarado como apelido. Não acho que seja um mau nome e o contexto mostra-me que não anda nada longe de algumas escolhas consideradas contemporâneas, mas realisticamente, parece-me pouco usável. 

Nicolau

em 14/03/16


Hoje, a propósito da morte de Nicolau Breyner, figura incontornável das artes portuguesas e a a quem bastava chamar de Nicolau para saber a quem nos referíamos, recordamos um post originalmente escrito em Novembro de 2012. 

A Alexandra sugeriu que abordasse o nome Nicolau, devido à proximidade do Natal. A associação surgiu devido a S. Nicolau, um homem que, antes de ser santo, era apenas um jovem proveniente de uma família abastada que tinha por hábito ajudar os mais necessitados, deixando-lhe saquinhos com ouro junto à chaminé de suas casas. A história foi evoluindo e, como é do conhecimento geral, o senhor Pai Natal vive atualmente na Lapónia, essa bela localidade onde podem ser encontrados elfos e renas voadoras. 
Nicolau não tem sido um nome muito usado em Portugal e os números dos últimos anos confirmam isso mesmo:  só conseguiu ultrapassar a fasquia dos dez registos em 2015, chegando aos 11 e ficou-se abaixo dos cinco registos em 2014 e em 2012. Apesar de ser um nome bastante tradicional, teve quase tantos registos quanto Nicolas que, entre os portugueses, é pouquíssimo habitual e nem sequer é aprovado - a outra versão admitida entre nós é Nicola. 
Nicole, nome feminino, foi registado 168 vezes, alcançando a 50.ª posição do ranking em 2015, o que é um resultado bastante bom. Pessoalmente, parecem-me mais usáveis as versões masculinas do que a feminina, mas é uma questão de gosto. E por falar em gosto, acho que Nicolau não é um nome que agrade à generalidade das pessoas, mas eu acho-o giro. E Nico é muito fofo! Também o acho suficientemente internacional, já que está próximo das versões Nikolaus e Klaus. Nicolau deriva do grego Nikólaos e significa "vencedor do povo", "povo da vitória" ou "geração da vitória". Acho-o perfeitamente usável, mas não creio que existam muitas pessoas dispostas a isso. Termino com uma curiosidade: já repararam que Nicolau e Luciano são anagramas?


Belém

em 18/08/15



Maria de Belém Roseira anunciou que é candidata à Presidência da República, o que é uma ótima oportunidade de revisitar um post que escrevi em Setembro de 2012...

Algures entre Ema e Benedita, consigo encaixar o nome Belém. Acho-o doce, delicado e ternurento. Pessoalmente, consigo estabelecer uma distinção entre Belém, nome próprio e Belém, topónimo. Contudo, e não sendo particularmente ligada à religião, associo-o à Estrela de Belém, uma das imagens mais bonitas que retive da catequese - Belém deriva de Bethlehem ("casa de trigo") e aponta para o local de nascimento de Jesus Cristo. 
Como estou afastada de Lisboa, também não penso muito em Pastéis de Belém (cá é mais Bolas de Berlim do Manel Natário!) pelo que não consigo determinar se isso torna Belém num alvo de piada fácil... Para mim, é apenas um nome, como tantos outros, que poderia ter como diminutivo Bela ou Belinha. 
Em Portugal, apesar de o composto Maria de Belém ser familiar, o nome Belém caiu em desuso e o último registo ocorreu em 2011 [e foi registado apenas uma vez como segundo nome, em 2014]. 

Alexandre & Alexandra

em 11/12/13


Quando há uns dias debatíamos a diferença entre um nome datado e um nome feio, pensei na quantidade de nomes que eu considero bonitos mas que, de certa forma, tendo a colocar de lado apenas porque há algumas décadas houve uma geração que se deixou encantar por eles. 
Esquecendo a popularidade de Alexandra nos anos 70 e 80, e concentrando-me apenas no nome, acho-o tão interessante quanto Alexandre, um nome masculino que me agrada bastante. São dois nomes antigos, tradicionais, internacionais, aristocráticos, talvez um pouco compridos para os dias de hoje mas que, ainda assim, permitem o uso de uma série de diminutivos marcantes [tão marcantes que alguns até subiram de estatuto e se transformaram em nomes próprios, como Alex,  Aléxis, Alexa e Aléxia]. E, além de tudo isto, ainda têm um poderosíssimo significado, "defensor dos homens" ou "guerreiro defensor". 
Alexandre foi registado 370 vezes em Portugal durante o ano de 2012, o que lhe valeu a 37.ª posição do ranking, ao passo que Alexandra se ficou pelos 77 registos que, contudo, o colocaram na 70.ª posição do top feminino. Poderão não ter a popularidade de outrora, mas não podemos dizer que são nomes que já não se usam ou que não são contemporâneos. Todavia, não aprecio vê-los usados como segundo nome, porque foi assim que me habituei a vê-los e acho que dão origem a algumas combinações-cliché e, mesmo que até funcionem, parecem-me escolhas um pouquinho desinspiradas.