Já passou muito tempo desde a última vez que reli a coleção Viagens no Tempo, mas aquele universo fascinava-me tanto que acho que tão cedo não vou esquecer as histórias. O primeiro livro, por exemplo, aflorava a lenda de Egas Moniz, o honrado aio de D. Afonso Henriques e, a partir da primeira leitura, passei a gostar muito do nome Egas que, anteriormente, apenas associava ao personagem da Rua Sésamo.
Egas Moniz viveu entre 1080 e 1146, era filho de Múnio e Ouroana e foi casado primeiramente com uma senhora chamada Dórdia e depois com uma Teresa, sendo pai de Lourenço, Afonso, Mem, Rodrigo, Hermígio e Soeiro, e ainda de Dórdia, Elvira e Urraca... Que banquete de nomes medievais!
A origem de Egas é um pouco obscura. Uns apontam-lhe raízes árabes, outros dizem que a origem é Ega e que o -S terá influência germânica, outros indicam que está relacionado com Egeas mas os especialistas não chegam a um consenso. Para mim, é pouco importante. Gosto de Egas pela sua ligação emocional ao início da história de Portugal e, se o usasse, seria sempre com o aio Egas Moniz no pensamento. Lembremo-nos ainda de António Caetano, prémio Nobel da Medicina em 1949, que era conhecido como António Egas Moniz porque, ao que tudo indica, era seu descendente.
Egas não consta da lista de nomes aprovados ou proibidos em Portugal, e não é um nome nada habitual mas eu cheguei a conhecer um da minha idade e é também o nome de um dos filhos do fadista António Pinto Basto. Em 2013 foi registado um menino com este nome e em 2011 foi registado outro. Apesar desta impopularidade e de reconhecer que não é um nome muito apelativo, eu acho-o muito interessante!

