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Antipatia face aos nomes modernos?

em 20/07/15


Da última vez que abordamos por aqui os nomes que detestamos, a conversa estava centrada na questão da conotação social do nome e deu pano para mangas. Agora, porém, gostava de levar o debate para a onda de antipatia que parece rodear os nomes modernos. Comecemos por este excerto que acho muito pertinente: 

"Em certas populações ameríndias, as pessoas possuem um património antroponímico que protegem, transmitem, aumentam ou perdem; os nomes pes­soais condensam valor e são objecto de propriedade (cf. Lopes da Silva 1986). Da mesma forma, os juristas portugueses constituíram o curioso conceito de “património onomástico nacional” (Pimenta 1986) – como se os nomes próprios em português constituíssem um valor de tipo cultural, parecido com a arte ou a arquitectura pública. Este conceito está por trás da noção quase universalmente consensual de que é colectivamente errado permitir às pessoas que atribuam nomes novos aos seus filhos – um crime parecido com montar janelas de alumínio brilhante num edifício medieval." 



Sentem ou não este preconceito face aos nomes novos? Somos hoje mais retrógrados e menos tolerantes em relação aos nomes? Quem escolhe um nome que foge ao tal "património onomástico nacional" compromete, de alguma forma, o bem-estar da criança? Sentem que os pais que optam por um nome diferente são demasiado julgados? 

"Que nome feio!!"
Devemos importar-nos com o que os outros pensam?

em 01/07/13


Quando há uns dias abordei o nome Benedito, sabia que as opiniões dificilmente seriam favoráveis. Não só não foram, como também o contador de votos indica que, até ao momento, 520 participantes não gostam do nome, contra 62 que gostam. A rejeição é mais do que evidente, mas será suficiente para riscar o nome da minha lista de usáveis para 2014? 

A resposta é Não, mas eu não sou uma pessoa "normal". Eu encaro os nomes de uma perspectiva muito particular que, muitas vezes, vai contra a opinião dominante. Se acho todos os nomes bonitos? Não. Se eu sei distinguir entre os nomes que a maioria dos portugueses acha aceitável e os que acham imponderáveis? Sei. Mas, hoje em dia, para que eu diga a outra pessoa que determinado nome não é usável, é preciso que esteja totalmente demodé (e sim, há nomes muito normais que estão totalmente fora de uso e que dificilmente se usarão nos próximos dez anos) ou que o nome seja tão, tão, tão moderno, que nunca o tenha ouvido noutro lado e que me pareça, apenas, uma palavra inventada. 

Ainda assim, não é só o meu conhecimento alargado sobre os nomes que me faz achar que não devemos deixar de usar um nome só porque os outros não gostam ou ainda não despertaram para ele. É também uma questão de personalidade. Como já disse por diversas vezes, não tenho problemas em mudar de opinião. Mas, para isso, têm de me apresentar argumentos fortes e que se estendam para além de...

  • Já ninguém usa esse nome;
  • É nome de velho;
  • É nome das novelas; 
  • Não é nome de gente;
  • É um nome propício a brincadeiras maldosas.

Não ponho em causa a legitimidade destas preocupações mas, simplesmente, já não me identifico com elas e não me parecem robustas a ponto de me fazer mudar de ideias, porque as ouço a respeito de todos os nomes. E não pensem que sou uma inconsequente que não vê mal nenhum na possibilidade de uma criança ser atormentada na escola por causa de um nome. É claro que me preocupa e é claro que acho muito mal! Até porque a questão da personalidade também se coloca noutro ângulo: terei ou não arcabouço emocional para aguentar sorrisos amarelos e comentários depreciativos a respeito do nome do meu bebé? E quando ele crescer, terei como consolá-lo quando ele chegar a casa a chorar, porque alguém lhe disse que tem um nome terrível? Não é algo que deva ser decidido de ânimo leve mas, muito por causa da lista do IRN, não acredito que os nomes próprios portugueses sejam assim tão traumatizantes, exceptuando, talvez, Castor... 

Resumidamente, se eu gostar verdadeiramente de um nome que não é aceite pelos outros devido a considerações subjectivas (e olhem que gosto de muitos nomes que eu considero muito aceitáveis e que poucos gostam, como Eurica, Frederica, Guiomar, Lopo, Viriato e Teodoro), não o riscarei da minha lista se esse nome não for posto em causa como nome próprio, se não for ofensivo ou insultuoso e se, em plena consciência, eu achar que ele não porá em causa o bem-estar do meu filho. 


Gostava de reiterar um pedido: se não vos causar um grande transtorno, tentem assinar os comentários, ajudava-me muito na altura das respostas! Até podem usar o Anónimo e acrescentar-lhe apenas um número... 

Escolheriam um nome diferente?

em 06/11/12


E sugere a Ni:  

"Na linha destes "nomes diferentes", que tal um post sobre como os leitores fazem a gestão destes nomes na sua vida, ou seja, se só gostam de nomes diferentes e não querem colocar um nome da "moda", se só gostam de nomes da "moda", se até gostam de nomes diferentes, mas têm receio de colocar para a criança não se sentir muito "diferente", etc... Gostava de saber a opinião, porque me parece haver uma franca tendência para escolher nomes para bebés dentro de uma mesma linha (a tal moda), mesmo que não sejam os preferidos".

Abrindo as hostilidades, aqui fica a minha resposta: 

Não tenho o hábito de promover o blog durante as conversas do dia-a-dia mas quando o assunto vem à baila, inevitavelmente há alguém que faz referência ao último nome estranho que abordei e a pergunta que se segue é quase sempre a seguinte: "mas tu usavas esse nome [testa franzida, olhos esbugalhados, nariz torcido] no teu bebé?!". Na maioria das vezes, a resposta é não. Não usaria Petula, Ribca, Alírio ou Emaús, mas tenho a certeza de que seria capaz de responder que sim a muitos, muitos nomes. É verdade que já estou quase imune a alguns critérios de exclusão, como "faz-me lembrar a palavra x" ou "é nome de velho", mas há um que teima em não me abandonar: a reacção dos outros perante um nome verdadeiramente diferente. Não por minha causa, já que lido bem com as minhas decisões, mas porque não quereria que o meu bebé crescesse amargurado com um nome que lhe colocasse na testa o sinal de alvo a abater. 
Isto, claro, leva-nos a outra discussão: para mim, diferente é Tiara, Cereja, Carmério e Dóriclo. Mas não vejo o que gozar em Jerónimo, Solano, Eulália ou Selena e, se fossem os meus nomes preferidos, não seria a opinião de quem prefere Rita ou Soraia que me iria impedir de os usar. 
Quanto aos nomes da moda, acredito que o são por um motivo: são giros. E num determinado período de tempo, influenciado por vários factores, parecem ser os mais giros de todos, como fosse inacreditável que os nossos avós não tenham pensado neles para os nossos pais, e que os nossos pais não tenham pensado neles para nós. Graças a todos os deuses e santinhos, nós descobrimos esses nomes e, finalmente, a nossa família vai ter um membro com o nome mais bonito do mundo. Claro que é brincadeira, mas não anda longe da realidade. Os nomes são mesmo bonitos, apelativos, mas isso é cíclico e pessoalmente prefiro nomes menos usados. 
Talvez isto faça pouco sentido, mas lembrem-se que a minha mãe se chama Elvira e a minha avó paterna Eufémia e isso nunca impediu nenhuma das duas de se tornarem em mulheres absolutamente normais aos olhos dos outros e extraordinárias aos meus...

Ontem a coisa aqueceu...

em 02/08/11


Os comentários de ontem levantaram questões diferentes e interessantíssimas e que nos podem levar a um debate ainda mais complexo:

  1. O que é considerado um nome estrangeiro? 
  2. Concordam com o uso de nomes com pronúncia estrangeira? 
  3. Concordam com o uso de nomes com grafia estrangeira? 
  4. Se passasse a ser autorizado o registo de todo e qualquer nome, utilizariam um nome estrangeiro?
  5. É possível ousar utilizando nomes nacionais?

Vamos lá argumentar...