Da última vez que abordamos por aqui os nomes que detestamos, a conversa estava centrada na questão da conotação social do nome e deu pano para mangas. Agora, porém, gostava de levar o debate para a onda de antipatia que parece rodear os nomes modernos. Comecemos por este excerto que acho muito pertinente:
"Em certas populações ameríndias, as pessoas possuem um património antroponímico que protegem, transmitem, aumentam ou perdem; os nomes pessoais condensam valor e são objecto de propriedade (cf. Lopes da Silva 1986). Da mesma forma, os juristas portugueses constituíram o curioso conceito de “património onomástico nacional” (Pimenta 1986) – como se os nomes próprios em português constituíssem um valor de tipo cultural, parecido com a arte ou a arquitectura pública. Este conceito está por trás da noção quase universalmente consensual de que é colectivamente errado permitir às pessoas que atribuam nomes novos aos seus filhos – um crime parecido com montar janelas de alumínio brilhante num edifício medieval."
Sentem ou não este preconceito face aos nomes novos? Somos hoje mais retrógrados e menos tolerantes em relação aos nomes? Quem escolhe um nome que foge ao tal "património onomástico nacional" compromete, de alguma forma, o bem-estar da criança? Sentem que os pais que optam por um nome diferente são demasiado julgados?



