Nomes brasileiros - uma outra perspectiva

28.7.11

Hoje dou a palavra à Patrícia, que muito amavelmente aceitou o meu convite para escrever um texto sobre a sua perspectiva dos nomes próprios mais utilizados no Brasil. Adorei o resultado final, e adorei esta partilha!


Sou adoradora de nomes, sou capaz de lembrar de todos os meus colegas da infância pelo nome, mas jamais lembraria deles pela fisionomia. Principalmente os nomes mais bizarros são os que tenho mais facilidade de gravar; Rutay (M), Og (M), Mazaiarla, Ivna, são alguns exemplos de nomes que guardei em minha memória, jamais esquecerei.


Sou professora e coordenadora educacional há quase 5 anos, ao iniciar o ano letivo tenho o costume de analisar todos os nomes das crianças que estão chegando e, assim, realizar várias descobertas maravilhosas, algumas delas tentarei compartilhar com vocês agora.

Peço desculpas antecipadamente se caso utilizar algum termo desconhecido ou de outro sentido em Portugal.

Nasci na década de 80 e acho os nomes dessa época muito mais bonitos do que os de hoje, na minha sala de aula haviam várias Patrícias, Julianas, Andressas e Júniors, nomes simples, comuns, fáceis de escrever. Hoje admito que as pessoas são bem mais criativas, observem que o nome mais repetido na minha escola é Sthephany (juro!), são pelo menos cinco meninas com esse nome, entre os meninos o mais repetido é Arthur (4).

Também percebi que antes era mais difícil encontrar crianças com nomes duplos, hoje é raro crianças com apenas um nome. Quando as crianças possuíam dois nomes, geralmente eram acompanhados pelos clássicos Ana e/ou Maria, hoje vejo infinitas combinações que até eu mesma no meu auge de criatividade não conseguiria combinar. Temos Iasmin Samara, Jaíza Eduarda, Talita Larissa, Adla Emile, Enio Gabriel, Iuri César, Plínio Augusto e dezenas de outras combinações impensáveis.

Descobri também que começo a desgostar de um nome quando ele começa a ficar comum demais. Há uns dois anos já perguntava o sexo do bebê e caso fosse menino eu “adivinhava” que seria Kauã, tão comum estava este nome por aqui e, há mais tempo ainda, nasceram milhares de Maria Eduarda, tornando esse nome doído aos meus ouvidos (por sinal nome da minha sobrinha).

Projetando para 2012 eu acredito que Heitor e Elisa irão subir no ranking brasileiro mais ainda e, mais pra frente, apostaria nos nomes Valentin/Valentina, Lavínia, Enrico e espero que Levi também alcance boa posição, pois Davi já esta enjoando.  

Essas foram algumas considerações rápidas que fiz com muito carinho pra esse blog querido que me fascinou. Estou à disposição, é sempre um prazer compartilhar. Essas não são considerações técnicas, o Brasil é um país continental, moro em um extremo do Nordeste e pode ser que pessoas de outras regiões do meu país tenham opiniões divergentes.


**Todos os nomes usados no post são de alunos e filhos de amigos próximos.

Patrícia Bezerra, do blog Dom de Existir


Isabella do Brasil e Vi, aproveito para vos lançar o mesmo desafio. Aliás, a vocês e a toda a gente que tenha um tempinho livre e que queira partilhar a sua paixão pelos nomes, não só em Portugal ou no Brasil, mas em todos os países de língua portuguesa! Podem enviar os textos para o email nomesportugueses@gmail.com

8 comentários :

  1. Engraçado, acho que algumas das considerações que a Patrícia fez sobre o Brasil, em Portugal são inversas... Por exemplo, no que se refere ao nomes compostos, quando eu tinha colegas quase não tinha colegas com nome único, agora penso que seja o contrário... e aqui nos anos 80 é que eram os nomes compostos estranhos... realmente são duas realidades distintas ;)

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  2. Concordo plenamente, as realidades são mesmo inversas! E os nomes tão diferentes, apesar de falarmos a mesma língua =)

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  3. Muito legal o texto *--*
    Eu também moro no nordeste do Brasil, e concordo plenamente com a Patrícia sempre encontro algum Arthur (aliás o nome de um dos meus sobrinhos). E tão percebo que está cada vez mais comum os nomes compostos. Ficarei muito feliz em contribuir com o blog!

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  4. Muito feliz de meu post ter agradado, estava nervosa.

    :)

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  5. Sim uma realidade bastante distinta do que se passa em Portugal! Visto que as modas por cá são: Maria, Beatriz; Leonor; Matilde; Ana; Laura, Rodrigo; Martim; Afonso; Tomás...
    Gostei muito do post, parabéns Patrícia!!

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  6. Patricia gostei muito do texto!

    Realmente aqui vive-se o inverso, agora vão surgindo nomes simples e não compostos :)
    Os meus dois filhos apenas tem 1 nome ( e chega)

    Sempre que ouço Maria Eduarda, soa-me a nome brasileiro (é como Lucas) e agora pensando bem realmente os que conheço são brasileiros :)

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  7. Muito interessante :) Também sou de 80 e penso que na minha escola não havia praticamente ninguém apenas com um nome ... era estranho mesmo haver alguém a chamar-se apenas João ou apenas Ana. E ficava eu a pensar: "E se ele ou ela não gostarem desse nome? Ao menos eu posso escolher como quero ser chamada" ;)

    Quanto às modas é melhor nem falar!!! Sete em dez meninas são Beatriz!! Já não há paciencia para esse nome! Sempre que alguém vai ser mãe, ou terão uma Beatriz ou Matilde ou Leonor! Já para não falar nas Marias...

    E os meninos?? É só Afonsos, Rodrigos e Gonçalos!!

    Bem, gostei muito Patrícia! ;)

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  8. No Nordeste brasileiro, de um modo geral, são mais frequentes os nomes duplos. No Sudeste a moda é muito variável, e geralmente recai em algumas combinações preferidas, muito variadas, por exemplo, Maria Eduarda, Paulo César (muito comum nos anos 50), Roberto Carlos (nome de cantor famoso), Carlos Henrique, Carlos Eduardo, hoje em dia temos muitos João Vítor, João Lucas, João Pedro, etc. Às vezes são nomes de alguma celebridade, personagem de livro, filme ou telenovela.

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Com tantos nomes à escolha, vai mesmo ser apenas Anónimo? :)